O vício iniciou bem cedo, como curiosidade e atração ao proibido. A técnica de enfermagem Ana Paula Fernandes começou a fumar escondido, aos 12 anos. Beirando os 33, cerca de dois anos atrás, a vida já pedia uma segunda chance. Com pressão alta, coração acelerado, acima do peso. Faltava fôlego. Tinha receio de como estaria a saúde ao chegar aos 40 anos.

Neste Dia Mundial Sem Tabaco, Ana Paula sabe que não é fácil, mas que é possível (Foto: Amanda Vieira/JP)


Todos os dias à tarde, ao voltar para casa, vindo da UPA da Vila Rezende, onde trabalha, avistava pessoas se exercitando na Rua do Porto. Achava que aquilo não era para ela. A vontade crescia, porém só percebeu que era hora de dar um basta no vício quando, certo dia, precisou atravessar a rua correndo para ajudar a avó e passou mal, o ar faltava, de novo.

Neste domingo (31), Dia Mundial Sem Tabaco, Ana Paula se sente privilegiada de poder compartilhar sua história e inspirar outras pessoas. A mensagem que passa é de não é fácil, mas que é possível.

Enfrentando uma turbulência a cada nova vontade de fumar que surgiu logo nos primeiros dias após a decisão, Ana Paula foi vencendo um dia de cada vez e encontrou forças no exercício físico. Quando viu, estava correndo!

A vitória de largar o vício foi compartilhada com a filha Ana Júlia, 13, que sente imenso orgulho da mãe, e virou exemplo para outros amigos que também pararam de fumar. “Ganhei a liberdade novamente, é outra vida, [mudei] completamente em todos os sentidos, eu me tornei outra pessoa”, diz.

Para a nova vida de Ana Paula, com a “segunda chance”, também chegaram outras vitórias. Cada medalha e troféu das corridas de rua que já participou (ela compete no percurso de 10 km) simbolizam sua persistência e garra para focar na saúde e mostrar para si mesma de que é capaz.

A autoestima de Ana Paula ressurgiu. Ganhou qualidade de vida. Sua saúde voltou: a pressão normalizou, o coração agradeceu e perdeu 37 kg. Ela respira profundamente de novo, sente os cheiros com mais facilidade. E na vida social não perde mais nem um minuto dos encontros com os amigos. Antes, sempre precisava pedir licença para fumar fora do barzinho, mesmo nas conversas mais animadas.

A conquista também foi percebida no bolso. Na época, Ana Paula fez um levantamento de quanto gastava por mês com o vício: R$ 360. “Sempre falo para quem quer parar de fumar: faça um levantamento de quanto você gasta com cigarro. É um dinheiro que se você for colocar no mês dá para pagar uma viagem”. Com aquela quantidade, na época, ela viu que poderia ter pagado uma viagem em 10x para Cancun, com tudo incluso.

Neste momento em que a humanidade passa por uma provação que acomete principalmente o sistema respiratório, Ana Paula reflete que pode ser também a chance de outras pessoas se libertarem do cigarro. Esta é a mesma mensagem que artistas de Piracicaba e região passam com a campanha “Paradas pro Sucesso”, apoiada pelo Jornal de Piracicaba e idealizada pela cardiologista Juliana Barbosa Previtalli e o músico Luís Fernando Dutra.

De acordo com a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) de 2019, 9,8% dos brasileiros fumam. O índice caiu nos últimos anos, porém, esse hábito aumenta entre os jovens, como ocorreu com a Ana Paula com apenas 12 anos. Hoje em dia as tentações são outras, como cigarro eletrônico, vape, juul e narguilé, mas as consequências da nicotina são as mesmas. Com a história de Ana Paula é possível ver que não vale a pena e que é possível superar.

Andressa Mota

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