Tecnologia aproxima mães e filhos separados pela pandemia

Tecnologia tem sido aliada em tempos de pandemia para matar a saudades (Foto: Amanda Vieira/JP)

Na manhã de domingo de Dia das Mães, dona Lina Paroli de 79 anos, em Limeira, é surpreendida ao receber uma caixinha de trufas com algumas cartas. Em Piracicaba, sua filha Rebeca Paroli Makhoul vê o sorriso de surpresa da mãe ao receber o mimo por meio de uma videochamada. Esta foi a forma encontrada pela jornalista Rebeca para celebrar o que lembra ser o primeiro dia das mães longe de dona Lina.

Por Rebeca ter dois filhos pequenos e pela mãe fazer parte do grupo de risco do novo coronavírus, desde que a quarentena foi determinada elas se viram apenas quatro vezes. Mas sem abraços ou conversa acalorada de mãe e filha. Os encontros em locais abertos tiveram máscaras e distância de pelo menos um mês uma da outra. “Visita tipo drive [thru]”, brinca Rebeca.

Para mãe e filha que se viam todo fim de semana e que sempre planejam juntas o almoço e sobremesa desta data, a forma encontrada para celebrar este ano é uma mistura de amor e saudade. “É um sentimento misto, de tristeza por estarmos longe, mas de muito amor, porque o estar longe é o maior gesto de amor do momento”, conta Rebeca.

Na carta, a jornalista lembra dona Lina do quanto ela é importante e um exemplo de vida. “E as crianças falaram que querem que a quarentena passe logo”, lembra Rebeca. Os pequenos têm 9 e 5 anos e a avó também não vê a hora de abraçá-los novamente.

Como dona Lina há pouco tempo também ganhou um celular novo, o isolamento social está mais recheado de sorrisos e carinho não só no Dia das Mães. “É uma maneira de estarmos perto e agora de celular novo, ninguém segura”, Rebeca diz sorrindo.

Mesmo sozinha em Campinas por ter continuado seu trabalho como terapeuta ocupacional prestando apoio à saúde mental em órgãos da prefeitura da cidade e precisar preservar a mãe, dona Valdete de 72 anos, do vírus, Ariadne Bonacio vai participar do almoço de Dia das Mães com a família, que é bastante unida. “A gente combinou de fazer uma chamada na hora do almoço, fazer uma comida especial cada um na sua casa e aí a gente faz uma chamada pra todo mundo poder estar junto e comemorar”, conta.

Assim como o Dia das Mães, Ariadne também passou a Páscoa sozinha. Como ela diz, não está sendo fácil e precisa de bastante criatividade para fazer o tempo passar, mas vê este momento como necessário para que tudo isso passe logo. Ela está longe de casa desde 15 de março. “Está difícil, é muito tempo, acho que nunca fiquei tanto tempo longe de casa, longe da minha mãe”, emociona-se.

Também é a primeira vez que a terapeuta ocupacional Rosemeire Fachini, de Águas de São Pedro, passa esta data longe de sua mãe, que está em São Paulo. Para que a mãe não se sinta sozinha, as filhas irão se reunir como geralmente fazem no almoço de domingo, mas, desta vez, pela internet. “Com certeza videochamada vamos fazer, ela consegue aproximar e você consegue olhar para a pessoa. Ter um alô por telefone é uma coisa, quando você olha é outra”, conta a terapeuta.

Meire também vai passar o Dia das Mães longe do seu filho, que está em Curitiba. A parte boa, então, é que vai celebrar a data pelo menos duas vezes. “Com certeza essa chamada alegra o dia da gente. […] Muito mais gostoso do que ganhar um presente”, lembra Rosemeire.

Andressa Mota

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