Tecnologia é usada para aproximar paciente e família

Foto: Assessoria de Imprensa/Santa Casa de Piracicaba

Recurso tem sido usado por hospitais de Piracicaba no tratamento de pacientes com covid-19

O medo e a insegurança de partir sem ter a chance de dizer adeus, de pedir perdão ou declarar o amor à família povoam os sentimentos dos pacientes internados nas UTIs de covid-19. A doença impõe o isolamento e distanciamento como forma de prevenção ao contágio e nos ambientes hospitalares não é diferente. Lá, paciente e família são unidos apenas pelo pensamento e oração. Lançando mão da tecnologia, hospitais de Piracicaba, como a Unimed, Santa Casa e HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana) têm proporcionado a rara oportunidade de encontros, conversas e troca de olhares entre pacientes e seus familiares através das telas de tablets e celulares. Foi o que aconteceu com a técnica de enfermagem da Santa Casa de Piracicaba, Bertile Lorenzon Maisano, 54. Ela foi reinfectada pela covid-19. A primeira vez em julho, de forma branda, e a segunda vez em novembro do ano passado, quando a situação ficou gravíssima e ela precisou ficar entubada por 12 dias.

A evolução dessa doença é muito rápida, minha família estava em pânico e os médicos ligavam para meu marido todos os dias para informar como eu estava. Fui entubada no dia 20 de novembro e extubada em 02 de dezembro. Ainda um pouco ‘grogue’ pelos efeitos dos sedativos, a Gisele (Gisele Vilarinho, enfermeira coordenadora da Ala UTI covid-19) entrou no meu quarto com o tablet e disse que ia fazer uma videochamada com o meu esposo. Combinamos de eu não aparecer no começo para a surpresa ser ainda maior; e foi. Assim que ela virou a tela para minha direção e meu marido me viu acordada ele explodiu em choro do outro lado. Foi muita emoção. Um alívio, na verdade. É horrível chegar tão perto da morte e ficar alheia a tudo que está acontecendo”, relatou.

Para a psicóloga hospitalar da Santa Casa, Paula Fernanda de Abreu Maia, o contato – mesmo virtual – entre o paciente e a família é muito importante. Ela disse que, na Santa Casa, os pacientes que estão na enfermaria podem ficar com o celular e manter o contato com família. Se a doença evolui e o paciente é levado à UTI aumenta o medo quanto ‘como será a evolução da doença’. “Nesse momento, ele não sabe se voltará a ver a família”, afirmou a psicóloga.

“Na UTI, antes do paciente ser entubado fazemos uma videochamada que acaba sendo uma despedida ou um até logo”, contou acrescentando que já ouviu vários pedidos de perdão nas conversas. Nesta semana, a Câmara de Vereadores de Piracicaba aprovou uma moção apresentada pela vereadora Ana Pavão (PL), apoiando o projeto de lei de autoria do deputado federal Célio Studart (PV) que dispõe sobre a visita virtual, por meio de videochamadas, de familiares a pacientes por covid-19.

Beto Silva
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