A tecnologia normalmente é associada a benefícios e raramente são sopesados seus excessos, que podem provocar sérios danos. Tome-se como exemplo o caso das crianças. Manter crianças afastadas de telas, hoje, é um verdadeiro desafio. Frequentemente crianças utilizam tablets e acessam os celulares dos pais ou familiares, ou seus próprios equipamentos eletrônicos, com os quais são presenteadas.

Crianças assistem a desenhos, vídeos, jogam joguinhos e são seduzidas pelo mundo das telas digitais. A moda pegou de tal forma que virou hábito que crianças portem telas em restaurantes para sua manipulação ao lado dos pais. As telas se tornam companhia comum durante a alimentação. Em outras ocasiões, para lidar com o choro ou a manha de crianças, seus responsáveis – pais, familiares, irmãos e babás – logo lhes mostram uma telinha de tablet ou celular para que a criança “se acalme”, fazendo com que fiquem ali vidradas e anestesiadas, com toda a atenção voltada para as telinhas brilhantes.

Muitos estudiosos, entre médicos e educadores, vêm apresentando argumentos contrários a esse uso frequente de telas por crianças de diferentes idades. Em abril, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tomou um passo importante, não só questionando todas essas práticas, como veementemente condenando-as para as crianças de tenra idade, especialmente de zero a dois anos. Elaborado por especialistas, o guia inédito da OMS foi amplamente divulgado com orientações para o desenvolvimento sadio de crianças.

O guia foi categórico: crianças de até um ano não devem ter qualquer contato com as telas, seja de tablet, celular ou TV. Na faixa de dois a cinco anos, o uso das telas não deve ultrapassar uma hora por dia.

A justificativa é que o uso de telas nesta tenra idade contribui para diminuir a capacidade de concentração da criança, dificulta e afeta a qualidade do sono. Também prejudica os hábitos alimentares infantis. Crianças que comem diante de telas e da televisão não prestam atenção naquilo que estão ingerindo, o que interfere na sua capacidade  de sentir o sabor dos alimentos e de desenvolver a noção de saciedade. Segundo endocrinologistas e pediatras, o consumo de alimentos na frente das telas aumenta as chances do desenvolvimento de obesidade infantil. Assim, as telas contribuem para o sedentarismo e podem até afetar  o desenvolvimento motor e cognitivo da criança.

A OMS recomenda que os pais leiam para seus filhos e lhes contem estórias, para impulsionar o desenvolvimento das habilidades de linguagem, alfabetização e até mesmo do vínculo afetivo  entre pais e filhos.  Escutar estórias desenvolve o universo lúdico e instiga a imaginação. Crianças devem ser incentivadas a participar das velhas brincadeiras infantis no chão, brincar com jogos ativos e criativos como quebra-cabeças e desenvolver atividades musicais como o canto.

As políticas públicas municipais devem levar em conta os estudos mais recentes para esclarecer e fomentar as melhores práticas na primeira infância, promovendo o debate e a divulgação das melhores práticas educacionais internacionais a todos.

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