Thales de Andrade: 130 anos de saudade e de um legado

Thales é o criador da literatura infantojuvenil brasileira | Foto: Arquivo Público

Comemora-se neste dia 15 de setembro, uma terça-feira, os 130 anos do escritor piracicabano Thales Castanho de Andrade, que morreu em 2 de outubro de 1977, lembrado para sempre como o criador do gênero infanto-juvenil da literatura brasileira. Foram 87 anos de uma vida eternamente ligada ao ofício das letras, do ensino, das leis e até mesmo do futebol. Um legado inigualável, daqueles pujantes e que encontra respaldo em diversas partes da cidade e do Brasil.

É possível encontrar o espectro imortal de Thales de Andrade, aliás, em muitos cantos de Piracicaba, e isso explica um tanto sobre a aura de ilustríssimo filho destas terras. Empresta o nome a avenida, no Monte Líbano; intitula escola municipal – no Jardim Oriente –; é, também, o nome da sala sede da APL (Academia Piracicabana de Letras), dentro do Instituto Beatriz Algodoal, e da sala infantojuvenil da Biblioteca Municipal “Ricardo Ferraz de Arruda Pinto”.

Thales tem raízes em outras cidades, como Jaú, Porto Ferreira e São Paulo, onde igualmente é homenageado com nome de ruas, avenidas, casas culturais e bibliotecas. Na interiorana Porto Ferreira, a caminho de Ribeirão Preto, por exemplo, é patrono de uma expressiva semana de artes literárias. Já capital paulista, na Freguesia do Ó, o pródigo escritor dá nome a biblioteca.

Num recorte exclusivo em Piracicaba, é possível até mesmo fazer Thales de Andrade um roteiro turístico – pudera, um dia, o Poder Público viabilize esta ideia. Começaria, por certo, no espaço da ainda pouco utilizado: a biblioteca municipal, para mostrar, já de imediato, o porque do seu nome ter tanto brio: lá estão edições de clássicos como “Saudade”, “Itaí, o menino das selvas”, “El rei Dom Sapo”, “A Filha da Floresta”, “Encanto e Verdade”, “Campo e Cidade”, entre outras.

Em seguida, que tal uma visita ao Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes? O acervo do museu tem diversos itens que rementem à memória de Thales, como diplomas, manuscritos, placas comemorativas e obras. Tem lá um busto que ainda não se sabe seguramente se é de Thales de Andrade, mas especialistas acreditam que sim, apesar de estar sem identificação.

Mas tem um busto comprovadamente do escritor, em terracota e bronze, feito pelo escultor Luiz Morrone, restaurado esse ano pelo escultor Marco Antônio Cavallari. O objeto está na sede do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba), no bairro Jaraguá, e em breve deve ser exposto ao público. Aliás, o IHGP detém mais documentos históricos sobre Thales e possui, ainda, alguns exemplares de uma edição em formato livro de bolso das principais obras do escritor para distribuição gratuita.

Quando o assunto é acervo histórico sobre Thales de Andrade, o Jornal de Piracicaba entra em cena. Thales, que foi também professor, vereador e até presidente do XV, desde os seus primeiros esforços teve espaço e destaque nas páginas deste centenário periódico – alguns destes momentos estão reproduzidos neste especial.

Mais itens raros estão, há pouco tempo, na APL: são livros autografados pelo próprio Thales de Andrade, recém-doados pela piracicabana Theresa Bonsi, que o conheceu na década de 1960. Assim como o expressivo acervo João Chiarini, que foi amigo pessoal de Thales. Um riquíssimo acervo, capaz de por si só contar a trajetória do escritor, que está no Espaço Memória Piracicabana, no CCMW (Centro Cultural Martha Watts).

Enfim, um roteiro sobre Thales culminaria no seu simplório túmulo, no Cemitério da Saudade, muito próximo ao do Dr. Fortunato Losso Netto.

Erick Tedesco ([email protected])