Todos têm direito à educação

Menos de 1% dos advogados de grandes escritórios são negros; Lei de Cotas permitiu que o número de negros nas universidades saltasse de 3% para 32,5% (foto: FreePick)

De acordo com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) existe 1,1 milhão de advogados no país, no entanto, um mapeamento feito pela Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) mostrou que menos de 1% dos profissionais que atuam em grandes escritórios são negros.

A pesquisa mostra ainda que a porcentagem de profissionais providos fica em 39% para os negros, enquanto que para os brancos os números são 50,2%.



Juliana Rocha é uma das poucas, em comparação aos brancos, advogada afro-brasileiras em Piracicaba e relata que, apesar de estarmos em 2019, ainda sofre racismo em sua profissão. “Já sofri e sofro até hoje. Certa vez fui patrocinar uma audiência criminal e o escrevente perguntou se eu era a ré e, detalhe, a acusada era branca, mas na cabeça dele a advogada era ela e eu acusada”, conta a advogada.

De acordo com o MEC (Ministério da Educação), 32,5% dos negros ingressam nas universidades para obter uma formação de ensino superior. Diante desse quadro se torna necessário um movimento que incentive os jovens afro- -brasileiros a buscarem o diploma de curso superior.

De acordo com o Dr. José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares e presidente da Afrobras (Sociedade Afrobrasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural), é necessário trabalhar em conjunto com o setor corporativo. “Os negros representam 56% da população e na minha época não havia nem 3% dos jovens negros em universidades. Não entendíamos como nos EUA possuíam diversas universidades públicas e aqui mal tínhamos negros no ensino superior. Então, fizemos vários movimentos importantes e estamos felizes em conseguir trazer parceiros que melhoraram e muito essa estatística no Brasil”, afirmou José Vicente.

COTAS

O aumento dos negros nas universidades se deu pela lei de cotas (2.711/12), que garante que 50% das matrículas nas universidades federais sejam destinadas a alunos de escolas públicas, também são beneficiados pardos e indígenas.

“São importantes as cotas, até por uma questão histórica, pois nós, negros, desde a antiguidade não tivemos oportunidades iguais às dos brancos. Nossa vivência foi bem diferente e com menos oportunidades. As cotas vieram para suprir essas diferenças”, ressalta a advogada Juliana Rocha.

Larissa Anunciato
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