Toni Padron: um bailarino global e piracicabano

Foto: Alessandro Maschio/JP

Balé para meninos: uma série de duas matérias para desmistificar o assunto

As histórias do balé com os homens sempre são cheias de relatos homofóbicos, machistas ou de piadas infames. Aqui começa uma pequena série contando duas histórias de muito sucesso, do professor ao aluno. Não que não haja dificuldades, mas é quase como um roteiro para quem pensa na dança como profissão e para os que querem sair pelo mundo atrás de bons cursos e grandes companhias. E elas estão aqui bem perto, na Cedan (Companhia Estável de Dança de Piracicaba), entidade vinculada à Semac (Secretaria Municipal da Ação Cultural).

Toni Padron, 35, atualmente dá aulas, dança e coreografa na Cedan. Nascido no Uruguai, aos 15 anos começou a dançar por um convite. “No Uruguai, todo mundo nasce querendo jogar bola. Eu também, e cheguei a jogar num time. Passamos a buscar a irmã de um companheiro do futebol nas aulas de balé. Até que um dia, a professora me convidou.”

A jornada de Padron iniciou na Escola Nacional de Dança (Montevidéu). Passou por Cuba, pelos Estados Unidos, conheceu o argentino Julio Bocca, então primeiro-bailarino do American Ballet Theater – uma das mais importantes companhias de balé do mundo – e conheceu o mundo. Mas não gostava de se sentir preso em um local – topou um trabalho no Ballet Nacional argentino e foi dançar em locais sem referência com a dança. “O balé clássico está associado a uma elite. Viajamos para o interior, locais que possivelmente nunca receberam uma companhia profissional.”

Como socialista na Argentina, ele conheceu a então solista também e piracicabana Cláudia Magagnin. Em 2018, Padron foi convidado pela Cisne Negro, companhia do tradicional espetáculo ‘O Quebra-Nozes’. O casal curtiu as primeiras idades da filha Valentina, com ajuda de uma babá. “Começamos a procurar uma estabilidade, e viemos para o Brasil. A Argentina não estava legal: o novo governo, de Mauricio Macri, fechou a companhia de balé”. Agora, o casal estrelado está em Piracicaba. “A carreira do bailarino é curta, até 35, 36 anos.”

Cristiane Bonin
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