Toxoplasmose: não é a “doença do gato” e médicas veterinárias desbancam esse mito contra os felinos

Foto: Freepik

Doença é perigosa aos humanos, mas os felinos não são os responsáveis e, sim, a falta de higiene do tutor

A falta de conhecimento sobre a toxoplasmose é uma das principais causas do afastamento entre humanos e felinos. A ‘doença do gato’, como é conhecida, é uma zoonose, ou seja, ainda que infecciosa, não é contagiosa. O vilão da história é o protozoário responsável pela manifestação, o Toxoplasma Gondii.

A médica veterinária Luciana Pithon, explica que a origem do termo se dá ao fato de os gatos serem um dos poucos hospedeiros definitivos do parasita. “Diferente de outros animais, o Toxoplasma Gondii consegue completar seu ciclo reprodutivo na mucosa intestinal dos felídeos. Ele é eliminado por meio das fezes em ovo- os oocistos – forma que só será infectante após 2 a 7 dias. Em outras palavras, os felinos são os únicos capazes de transmitir a doença, o que cria diversos preconceitos em torno deles.

Os gatos podem adquirir a doença ao ingerirem uma presa contaminada, por isso, garantir uma alimentação boa e segura para o pet é prioridade. Infelizmente, os tutores costumam ser os principais responsáveis pela exposição do animal, já que uma das formas de contágio é o passeio solo.

Como alerta Aline Soares Barbosa, médica veterinária especializada em felinos, gatos saudáveis sem acesso à rua não oferecem nenhum risco de transmissão de toxoplasmose. Já durante a caminhada sem a presença do dono, não há controle ou restrição do que é ingerido e, além disso, esta liberdade favorece a mortalidade precoce por atropelamentos, envenenamentos e doenças infecciosas.

De acordo com a médica, é raro reconhecer um gato contaminado, já que dificilmente a doença evolui para casos clínicos. Pode ser que o pet apresente febre, linfadenomegalia (aumento dos gânglios linfáticos), uveíte e sinais neurológicos. Já nos humanos, os principais sintomas são dor de cabeça, dor muscular, linfonodomegalia ou sinais específicos e característicos da doença, como é o caso da cegueira, confusão mental, falta de coordenação motora e convulsões.

A limpeza periódica da caixa de areia e cortar os passeios solos são as melhores formas de garantir o bem-estar, a higiene e a segurança do seu pet. “Quando um gato caça e ingere uma presa contaminada pela primeira vez em sua vida, ele irá eliminar nas fezes os ovos do toxoplasma por 7 dias. Para que estes oocistos se tornem a forma infectante para nós, humanos, eles ainda precisam ficar em contato com o solo e o ar por, pelo menos, 72 horas”, explica Aline, que complementa: “É importante salientar que não se pega toxoplasmose por contato com os pelos e saliva dos gatos. Não há risco algum em dormir junto com seu pet ou simplesmente ter um em casa. A transmissão para nós acontece exclusivamente por ingestão de fezes contaminadas”.

Luciana também sugere atenção redobrada para a forma como a limpeza é feita. Utilizar luvas, por exemplo, já evita o contato direto com as fezes dos animais. Além disso, é importante lavar frutas verduras e legumes com muita atenção e não esquecer de higienizar bem as mãos após manusear carne crua. “Grávidas podem ter contato com gatos, basta se proteger de forma que não tenham contato com os dejetos”, afirma.

Laís Seguin
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