Tradicional e de olho no futuro, Rio das Pedras completa 126 anos hoje

Abastecimento está entre os desafios dos governantes (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Com pouco mais de 35 mil habitantes e uma cidade típica do interior – que acolhe, carrega no peito as tradições e busca desenvolver-se para o futuro, Rio das Pedras completa hoje, 10 de julho, 126 anos. Entre os desafios dos cenários mundial, nacional e local, a “cidade doçura”, como é conhecida, prepara os rio-pedrenses por meio da educação profissionalizante e busca atrair indústrias ao aprimorar a infraestrutura para oferecer oportunidades e mais motivos para o orgulho na história da cidade.

Como todo aniversariante, Rio das Pedras precisou adaptar-se à quarentena para comemorar mais um ano de existência, mas a população não ficou sem a boa música sertaneja, a fé e o samba raiz.

Por meio de lives, desde a última quarta-feira (8) a população acompanha shows e celebrações religiosas na página da Prefeitura no Facebook. Hoje, às 8h, o dia começa com ato cívico de hasteamento de bandeiras. Às 19h haverá missa sertaneja e, às 20h, é a vez da dupla Claudemir e Moisés. As celebrações vão até domingo (12). A programação completa está disponível no perfil da prefeitura na rede social.

“Rio das Pedras mantém o sentimento de alegria por suas conquistas ao comemorar seu aniversário. A história democrática construída ao longo dos anos na cidade, com a contínua participação popular e o foco no bem-estar das pessoas, nos faz ter mais forças para enfrentar os desafios do novo tempo”, comenta o presidente da Câmara dos Vereadores, Trudpert Riesterer (DEM).

Do café à cultura canavieira, a economia da cidade quer desenvolver-se cada vez mais e a indústria ganha espaço. “Mais recentemente tem se destacado o ramo metalúrgico com diversas empresas que estão entre as maiores empregadoras do município”, conta o prefeito Antônio Carlos Defavari (PSDB).

O foco no desenvolvimento é essencial para superar os desafios que a cidade tem pela frente. Defavari conta que o foco é a qualidade de vida dos cidadãos, com investimentos na melhoria do abastecimento de água, por exemplo. “Problema crônico que o município enfrenta há décadas”, comenta.

A Câmara também atua para solucionar a questão do abastecimento e demais desafios da cidade, como financeiro e econômico, de saúde pública e de estruturação viária, conforme lembrou Riesterer.

Defavari lembra que tem trabalhado para pagar as dívidas do município, acumuladas “pelas últimas cinco gestões [que] somavam R$ 99,3 milhões em dezembro de 2016”. Em 42 meses, foram pagos mais de R$ 25 milhões, informa.

“O desemprego”, conta Riesterer, “tem sido alvo de inúmeras sugestões da Câmara, como a criação de incentivos para atração de empresas, a valorização dos empreendedores locais”.

Na saúde, com 227 casos confirmados da covid-19 e seis óbitos, as gestões do executivo e legislativo também trabalham para ajudar a população. O primeiro com foco em proporcionar testes, higienização e leitos hospitalares. O segundo, na fiscalização e direcionamento de verba.

Tradicional e de olho no futuro, Rio das Pedras honra a história, a cultura do povo e se prepara para o futuro, mas sem deixar de lado os traços únicos das festas típicas e do convívio familiar e de amizade.

Com 35 mil habitantes, cidade tem comércio diversificado (Foto: Claudinho Coradini/JP)

UM POUCO DE HISTÓRIA
Mas, afinal, por que Rio das Pedras? O nome da cidade surgiu com a passagem dos tropeiros que levavam café para o Porto de Santos, por volta de 1850, e que se hospedavam na casa de um agricultor chamado “Seu Pedro”, às margens do Rio Tijuco Preto, como lembra o secretário de cultura e turismo da cidade, Mário Antonio Cavicchioli.

Conta a história que o Seu Pedro tinha três lindas filhas, as quais os tropeiros chamavam de “Pedras” – o nome do pai no feminino, por não saberem os verdadeiros nomes das moças. Assim, quando passavam pela região, eles se referiam à casa do agricultor como a pousada do “Rio das Pedras”. Com o tempo e o uso do nome, o “e” perdeu o som mais fechado e ganhou fonema agudo. Então, assim, o nome da cidade se consolidou.

Contada a história do nome da cidade, vale ressaltar outro aspecto importante na formação dela: a fé. Logo a primeira capela que um dos fundadores, Antonio Garcia Prates, construiu – por volta de 1870, recebeu a imagem do Senhor Bom Jesus, que até hoje é o padroeiro da cidade: o Senhor Bom Jesus de Rio das Pedras. “Inclusive eles mandaram vir de Portugal uma imagem de terracota de Bom Jesus de Rio das Pedras, que infelizmente desapareceu da igreja”, relata Cavicchioli.

A família de Prates chegou à região junto com a construção da Ferrovia Ituana, em 1870, que depois ficou conhecida como Estrada de Ferro Sorocabana, fator relevante para o desenvolvimento de Rio das Pedras, que foi elevada à categoria de vila em 10 de julho de 1894, pela Lei Estadual 291, e no mesmo ano, em 19 de dezembro, à categoria de cidade.

O primeiro foco do desenvolvimento econômico da cidade se deu no café, com participação importante do Barão de Serra Negra. “Passado muito tempo, por volta de 1950 mais ou menos, começou a indústria açucareira, tanto que a cidade já recebeu o título de cidade doçura por causa da cana-de-açúcar”, conta Cavicchioli.

Conforme lembra o secretário, toda a cultura, como as tradicionais festas que compõem o calendário da cidade, buscam envolver a história. Na arte, Rio das Pedras carrega orgulhosa ainda sua juventude na Banda Antenor Cortelazzi “que é um orgulho da nossa cidade essa parte musical também”, finaliza Cavicchioli.

Andressa Mota