Crise impulsionou as transferências para outras escolas | Foto: Amanda Vieira/JP

A pandemia e consequente crise econômica têm feito as famílias optarem pela rede pública de ensino. Em Piracicaba, até agosto deste ano, as transferências da rede privada para a municipal já aumentaram 132% se comparar com todo o ano passado. De acordo com dados da SME (Secretaria Municipal de Educação), de janeiro até agosto de 2020, foram 393 transferências, enquanto que, de janeiro a dezembro de 2019, 169.

Esse aumento também é observado na rede estadual de ensino. De acordo com dados da Seduc (Secretaria do Estado de Educação), as transferências da rede privada para a estadual aumentaram, de março a agosto deste ano, em 41% em relação ao mesmo período do ano passado na DRE (Diretoria Regional de Educação), que inclui Piracicaba, Águas de São Pedro, São Pedro, Charqueada, Saltinho e Santa Maria da Serra. Em 2019 foram 115 transferências. Neste ano, 162.

De acordo com a secretária municipal de Educação, Angela Jorge Corrêa, a crise impulsionou as transferências, porém o movimento já era “frequente”.

“Piracicaba tem uma rede municipal de educação comprometida com ensino de boa qualidade, o que torna a busca por vagas nas escolas municipais frequente”, afirma. Segundo Angela, não há fila de espera de transferências para a rede municipal.

Pela queda na renda da família, a professora Gleice Malosso e o marido, que é comerciante proprietário de um bar, decidiram transferir os filhos Maria Luiza, 8 anos, para a rede municipal, e o João, 14 anos, para a estadual. Gleice conta que a decisão não foi fácil, porque temiam a não integração das crianças, mas que se adaptam bem e aprovaram a qualidade das aulas online. Ela comenta que não pretende retorná-los para a rede privada.

“A certeza que a gente tem é que a escola pública está fazendo um trabalho muito bom, tanto é que para as aulas online são utilizadas as mesmas plataformas da escola particular”, comenta Gleice.

Já a técnica em saúde bucal Naiara Lustosa Barreto retornou a filha Vitória, 14 anos, para a rede pública em setembro, depois de sete meses na particular. “Ela não se adaptou muito na escola particular. Acho que os professores da pública acolhem melhor, aí fizemos a transferência”, conta.


No caso da cuidadora e artesã Ana Paula Oliveira Carrera, ela transferiu a Ana Flávia, do 9º ano, para a rede pública pela gravidez da filha. O dinheiro da mensalidade, segundo a mãe, poderá ser usado para o bebê. “Fomos bem recebidas. Ela assiste as aulas online, faz as atividades e provas pelo Whastapp. […] Os professores se preocupam e compreendem quando entregamos, às vezes, fora do prazo, pois ela está indisposta”, conta.

ECONOMIA
O cenário econômico do país ainda é carregado de incertezas e, durante o período de recuperação pelo qual passaremos, segundo avalia o economista Bruno Pissinato, a tendência é de que as transferências da rede privada para a pública de ensino continuem.


O economista explica que esse movimento ocorre principalmente na Classe C, que tem renda entre R$ 4 mil a R$ 10 mil, e que tem visto o padrão de vida mudar devido à queda na renda pelo desemprego ou impacto no mercado daqueles que são autônomos.


“Essas pessoas naturalmente vão depender da recuperação econômica. E, para que as pessoas da Classe C voltem a matricular os seus filhos [na rede privada], vai depender primeiro da expectativa de mercado”, comenta Pissinato.

Andressa Mota

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1 COMENTÁRIO

  1. Vejo muita diferenca entre escolas, uma da ensino em que a mãe fica quase louca com as materias, outra que nao pega no caderno pelo menos quatro meses e sao da mesma idade e escolas diferentes. Não acredito que a forma de estudo ã distância para as criancas vai fazer o mesmo que presencial. Deveriam dar treinamento para os pais e alunos, depois sim, mas desta forma nao.
    Ano perdido, comecar ano que vem de onde parou 2019.

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