Três gerações de mulheres falam o que pensam sobre o casamento

A forma de enxergar o casamento muda entre as gerações, mas o essencial permanece: respeito e amor. (Foto: Divulgação)

Casamento é uma união que, efetuada de modo voluntário e entre duas pessoas, é sancionada de acordo com a lei, dando origem a uma família. Esse é o signifi cado de casamento de acordo com o dicionário, mas para muitas pessoas o sentido pode ser outro. Conversamos com três mulheres da mesma família, de diferentes gerações, para saber o que elas pensam sobre o tema.

Casada há 54 anos, Mariza Seghese, 75 anos, acredita que o casamento é uma instituição em que duas pessoas diferentes que se juntam, e tentam fazer dar certo.

“É necessário amor para começar e respeito acima de tudo. Acho, no meu caso, que deu certo, válido duas pessoas se unirem e formarem uma família, terem fi lhos e netos. É compensador e dá sentido à vida. Quando não conseguem o respeito de ambos, melhor cada um seguir seu caminho e tentar ser feliz”, declarou.

Para a filha de Mariza, a professora Simone Seghese, 53 anos, também casada, o casamento é uma sociedade que visa ao bem de ambas as partes. “Nós somos seres relacionais e a vida solitária pode ser triste para a maioria das pessoas. Mas para que as coisas funcionem tem de haver independência. Um não pode precisar do outro, tem de estar junto porque querem estar e não porque precisam”.

Filha de Simone e neta de Mariza, Thais Seghese, 24 anos, acredita que casamento é cumplicidade, é dividir com alguém as “coisas” da vida. “Esse alguém tem de me levar para cima, me incentivar, me amar do jeito que sou e não do jeito que a pessoa quer que eu seja”, afi rmou.

Solteira, Thais disse não enxergar o casamento da forma tradicional. “Acho que existem inúmeras formas de estar casado, acredito que cada casal tenha a sua. Não acredito em ‘até que a morte nos separe’, em dividir o mesmo quarto todo dia e em incluir em todas as minhas tarefas o meu parceiro (a). Penso que tudo é efêmero e que para o casamento dar certo tem de haver independência, igualdade, individualidade, espaço, confi ança, honestidade e muito diálogo”.

De acordo com a psicóloga e hipnoterapeuta, Elaine Mobilon Kuhl, a perspectiva sobre o matrimônio na época dos avós era diferente de hoje. “Antes, o casamento era um sacramento ‘quase’ que obrigatório. Quem fugia à regra fi cava sob os olhos julgadores da sociedade, que determinava que o padrão era se casar e ter fi lhos”, explicou.

Elaine disse que apesar de existirem mulheres que trabalhavam, grande parte delas se dedicavam aos afazeres domésticos e ao cuidado com os fi lhos que, na maioria das vezes, eram em grande quantidade. “Já na época dos nossos pais, o casamento passou a ser uma opção e a mulher deixou de ser julgada caso optasse por não ter um homem como muro de arrimo”.

Segundo a psicóloga, as mulheres passaram a lutar de forma mais incisiva pela igualdade de direitos, a conquistar cargos, mas ainda assim carregavam de forma desigual o fardo de tripla jornada: trabalho, casa e fi lhos.

“Se na época dos pais, o casamento era uma escolha, na geração atual esse comportamento se tornou ainda mais intenso. As mulheres herdaram uma geração de luta das mães ou do próprio contexto histórico. Muitas partiram em buscas de oportunidades, crescimento profissional, realizações pessoais e deixaram o casamento e fi lhos para um momento mais oportuno, mais maduro de suas vidas”.

Ana Carolina Leal
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