União de esforços ao objetivo comum e a capacidade de enfrentar crises

Foto: Alessandro Maschio/JP

O empresário de piracicabano José Luiz Guidotti Jr., 53 anos, atua incorporação imobiliária e hotelaria. A carreira no mundo do negócios começou cedo; aos 21 anos iniciou na área de RH (Recursos Humanos), na Construtora Guidotti e, aos 23, fundou uma empresa de terceirização de serviços e serviços temporários, que veio a ser a maior empresa do segmento em Piracicaba e Região.

Filho do casal Regina Helena Fonseca e José Luiz Guidotti, ele é casado com a empresária Maria Fernanda de Carvalho Guidotti e pai do também empresário do setor hoteleiro, Danilo de Carvalho Guidotti, 28 anos.

Neste ano, Guidotti aceitou o desafio de assumir a recém criada Semdettur (Secretaria Municipal de desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo), uma fusão da Semtre (Secretaria Municipal do Trabalho e Renda) com Turismo, que estava ligado à Ação Cultural, a convite do prefeito Luciano Almeida (DEM), o empresário passou a ser o responsável pela pasta que reúne setores que, na avaliação do prefeito, ‘exigem respostas rápidas’.

Ao propor a fusão da secretaria com a diretoria, Luciano avaliou que não parecia lógico o Desenvolvimento Econômico estar atrelado ao Governo, assim como o Turismo à Cultura. “Tanto é que o Desenvolvimento Econômico estava desidratado, contando com apenas um único servidor público. Havia processos parados há muito tempo sem resposta, uma fila de espera de empresas interessadas em se instalarem na cidade sem qualquer perspectiva. Faltava um plano de ação para fazer frente às demandas empresariais para geração de trabalho e inexistência de um receptivo para aqueles que buscam Piracicaba a fim de empreender novos negócios. Nosso Aeroporto Municipal, infelizmente, não recebia a atenção devida, talvez, por estar vinculado a uma pasta com assuntos tão desconexos, vide o estado que se encontrava em 1º de janeiro”, justificou o democrata à época em que o projeto de fusão foi encaminhado à Câmara Municipal.

Por outro lado, ainda de acordo com o prefeito, o turismo também precisava de uma resposta rápida diante da situação grave que o setor enfrenta com a pandemia da covid-19, que desestruturou muitos negócios. O setor foi transformado em diretoria pela gestão anterior e anexado à cultura. Luciano considerou que não seria o ideal para o momento e disse ter levado em conta a reivindicação de vários segmentos da Cultura e Turismo, que pleiteavam a separação.

Nomeado secretário para assumir o cargo, Guidotti é bacharel em Direito pela Unimep – Universidade Metodista de Piracicaba -, pós graduado em empreendimentos imobiliários pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e tem especialização em incorporação imobiliária pela Universidade Secovi (universidade do mercado imobiliário).

Em seu currículo atual consta a Amistà Empreendimentos que tornou-se referência em empreendimentos de alto padrão em Piracicaba, iniciada por ele há dez anos.

Nas horas vagas, o secretário de dedica à leitura de biografias, esportes como corrida e ginástica funcional, viagens enogastronômico com família e amigos.

Neste Persona, Guidotti fala dos desafios do setor produtivo frente a pandemia do novo coronavírus, projetos para os próximos anos que envolvam a geração e manutenção do emprego e do turismo em Piracicaba.

Qual a sua opinião sobre a criação da RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) para o desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda para os municípios que englobam a região?

A RMP já nasce com anúncios importantes como a antecipação do início das obras do anel viário, interligando o Uninorte e Parque Automotivo, com o Uninoroeste, melhorando a infraestrutura viária de nossos distritos industriais, tornando nossa região ainda mais atrativa para novas empresas por aqui se instalarem.

Como Piracicaba enfrentou o auge da pandemia do novo coronavírus no que se refere a geração e manutenção do emprego?

Foi um início desafiador, pois tão logo assumimos, havia um indício de uma segunda onda da covid-19, que não só se confirmou como veio ainda mais forte. Medidas restritivas foram necessárias para salvar vidas. Estabelecemos uma forte aproximação com o setor produtivo e entidades representativas com foco na manutenção dos empregos e na preservação da vida. A Prefeitura uniu a sociedade em uma momento de guerra e conseguimos superar. A vacinação em Piracicaba é referência nacional, e isso fez toda a diferença. Tivemos saldo positivo de quase 8.000 vagas entre janeiro e outubro de 2021, ante a 800 negativas no ano de 2020.

Como a cidade tem se organizado para a retomada das atividades, qual a expectativa para 2022?

Estamos organizando com muito planejamento. Demandas há muito tempo represadas estão sendo retomadas, como a disponibilidade de novas áreas para instalação de empresas bem como a articulação com investimentos para implantação de grandes plantas industriais.

Pouco tempo após o senhor assumir a Semdettur – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo –, teve início a segunda onda da covid-19. A pasta tinha projetos que foram adiados em função da crise na saúde? Quais?

Nossos projetos foram formatados e estruturados para que no momento da retomada pudessem ser implantamos. E isso não só aconteceu como superou todas as nossas expectativas, como exemplo, o HUB Piracicaba, a Feira da Empregabilidade e o projeto Natal Luz & Arte. Todos eles indultores de geração de trabalho e renda

Até novembro, o mercado de trabalho na cidade esteve com quase 200 mil trabalhadores atuantes. Entretanto, com base no PEA (População Economicamente Ativa) piracicabano, cerca de 77,4 mil pessoas aptas estão fora do mercado formal. Como o senhor avalia o desemprego em Piracicaba?

Conforme dados já analisados, tivemos um ano de 2021 com saldo positivo de contratações e essa tendência vem se confirmando a cada mês. Por estarmos em uma região com muitas empresas ligadas ao Agro, setor pouco afetado na pandemia, os índices de desempregados estão bem abaixo da média nacional.

De acordo com a balança comercial divulgada pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), as exportações da regional em Piracicaba – que engloba oito cidades – registraram US $1,84 bilhão de janeiro a outubro, um aumento de 31,7% na comparação com os dez meses de 2020. Já as importações somaram US $2,24 bilhões, o que significa um crescimento de 55,8% frente ao mesmo período do ano passado. Os números mostram uma reação do setor produtivo. O que o senhor aponta como fatores que contribuem para aumento da exportação e importação na Região?

De acordo com dados do CEPEA/Esalq-Usp, o PIB do Agro crescerá 9,81% em 2021, mantendo a tendência de forte ritmo mesmo em meio à crise o qual enfrentamos em 2020 e 2021. À produção de grãos baterá o Record de 2020, assim como a demanda mundial por alimentos cresceu na pandemia com tendência de alta para os próximos anos. Como nossas principais empresas estão ligadas diretamente ao Agro, como máquinas e implementos agrícolas, máquinas de infraestrutura, setor metal mecânico que atende a cadeia do açúcar e do álcool, explica-se os números de crescimento que fecharemos este ano de 2021, assim como manteremos uma expectativa positiva de crescimento para os próximos anos.

Como empresário, quais serão os principais desafios do setor produtivo que o senhor aponta nessa retomada de produção, vai ser possível manter produção, emprego sem mais sacrifícios?

Passada a pandemia, temos outros desafios a enfrentar como a crise hídrica que se vislumbra para o próximo ano, além da instabilidade do mercado em ano de eleições presidenciais. Nós, da Semdettur, estamos atentos as oscilações do mercado quanto a empregabilidade. Se por um lado setores foram duramente afetados como comércio, bares, restaurantes e turismo,
outros cresceram fortemente como o já citado Agro como também a Construção Civil. Com isso, temos que requalificar nossa mão de obra para prepará-la a migrar de um setor para outro. Fizemos uma pesquisa de demanda, identificamos os maiores déficits de funções do mercado e já no início de 2022 assinaremos a maior contratação de cursos de qualificação junto ao Senai e Senac que a Secretaria já teve.

O turismo foi um dos setores mais prejudicados com a crise da saúde, quais são as perspectivas para a retomada em Piracicaba? Há projetos a serem implementados?

De fato o turismo foi impactado com a pior crise já vivenciada na história do setor. Porém, a retomada vem beneficiando muito, pois o turismo regional está fortalecendo. As pessoas passaram a olhar e querer conhecer o seu entorno, em viagens mais próximas e curtas. Temos como características o turismo de negócios, onde as pessoas procuram Piracicaba por conta dos eventos, congressos, e a trabalho. Prova disso, foi o fato desta semana Piracicaba ser eleita o destino TOP 1 de turismo de negócios e eventos no estado de SP. Projetos como o turismo rural, turismo regional com a integração de Piracicaba com a Serra do Itaqueri qualificação de nossos atrativos turísticos são nossos projetos que já começarão a sair do papel em 2022.

Diante do que o senhor vivenciou enquanto empresário e secretário municipal, qual lição a pandemia de covid-19 deixa para a sociedade?

A união de esforços ao objetivo comum mostra a capacidade do ser humano em enfrentar as piores crises. Nos piores dias entre abril e maio deste ano, com as UTIs (unidades de Terapia Intensiva) com capacidade máxima de ocupação, conseguimos unir as principais empresas e entidades empresariais para uma força tarefa e ajudar nossa Secretaria de Saúde com a doação de respiradores, bombas de infusão, medicamentos, insumos hospitalares. Vidas foram salvas com essas ajudas que chegaram nos momentos mais cruciais. Conseguimos.

Beto Silva
[email protected]

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