União por uma Piracicaba melhor

Empresário diz que o foco é no desenvolvimento da cidade para atrair consumidores e gerar empregos. (Foto: Claudinho Coradini)

O piracicabano Reinaldo José Pousa, 55 anos, é filho do casal Maria Aparecida Bandeira e Walton Pousa e é de uma família de empresários. Além dele, os irmãos Rodolfo e Rogério atuam no empresariado.

Pousa está na segunda gestão à frente da presidência da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Piracicaba, foi presidente da Comissão de Emprego, atuou como diretor administrativo do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba, diretor social do Clube Atlético Piracicabano e fundador do Craque Piracicaba -projeto voltado aos jovens no esporte.

Pousa é empresário no ramo do comércio e esteve à frente da loja Musical XV, por 30 anos. Atualmente, ele é proprietário da Eco Promoções empresa ligada ao ramo de entretenimento, e é o fundador do CTN (Centro de Tradições Nordestinas) de Piracicaba e região, além de presidente do Clube Coronel Barbosa/Teatro São José, presidente municipal do Podemos e vice-presidente da Federação Estadual das Câmaras de Dirigentes Lojistas e estuda gestão pública na Faculdade Anhembi Morumbi.

Nas horas vagas, o empresário prefere a companhia da família, da esposa, a funcionária pública Fabíola Moraes, dos filhos Priscila, 29, Rodrigo, 23, e do caçula Raphael, de 3 anos.

Nesta semana, Pousa encontrou espaço na agenda para responder as questões do Persona.

Na entrevista, ele se mostra otimista quanto ao fim da crise política econômica que atinge o Brasil desde 2015 e aponta condições de aquecimento na economia se o governo federal efetivar a Reforma Tributária.

Pousa criticou a polêmica no setor comercial da cidade, gerado pelo atrito entre as entidades sindicais em torno da abertura das lojas aos feriados, e aponta a união de esforços como salutar para o enfrentamento da crise, geração de empregos e superação das dificuldades.

Há quanto tempo o senhor está à frente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas de Piracicaba)?

Minha primeira gestão à frente da CDL ocorreu de 1996 a 2000 e a segunda e atual gestão será de 2015 a 2021.

Quais os principais desafios e projetos da entidade atualmente?

Representar a classe lojista no âmbito municipal, estadual e federal promovendo soluções para o comércio e serviços de cidade, tais como organizando workshop, oferecendo cursos de qualificação, convênios médicos entre outros.

Quantos associados a CDL possui e como é a participação da entidade junto aos empresários e trabalhadores do setor?

Contamos atualmente com 400 associados, fazemos um trabalho oferecendo vários cursos, estamos com convênios médicos e odontológicos, entre outros, para que esses associados continuem participando da entidade. Temos uma comunicação via Whatsapp, no qual discutimos ações para o comércio lojista da cidade e reuniões na entidade. Estamos lançando agora, neste ano, o Café da Manhã com o Lojista, que é realizado a cada dois meses, tendo uma hora de duração, onde discutiremos ações para o comércio lojista.

Como o senhor avalia o desempenho do comércio em Piracicaba. Para a região, a cidade é um polo comercial? Por quê?

Sim, Piracicaba é um polo comercial devido ao seu tamanho e por agregar todas as cidades menores que estão em torno dela. Piracicaba se destaca pela quantidade de empresas, e isso faz com que tenhamos um comércio muito forte e diferenciado. Temos aqui, por exemplo, em muitos casos a diferença de vendas positiva e exatamente pela cidade ser esse polo. Dentro dessa quantidade de empresas, a gente consegue ter uma avaliação muito rápida quando o país dá sinal de melhoras ou de queda, exatamente por ela ser esse polo e ter nesse meio a quantidade de empresas, tanto na parte da indústria, como no comércio e de serviços, o que nos permite mensurar de maneira rápida e consistente quando a indústria vai bem, o comércio também vai bem e quando a indústria começa a demitir, o resultado apresenta um reflexo negativo imediatamente e, a partir de Piracicaba, acaba se expandindo para todo o polo e cidades da região.

Recentemente a abertura das lojas aos feriados gerou polêmica entre as entidades do setor. Como o senhor avalia essa situação?

Infelizmente, Piracicaba estava caminhando na contramão do que acontece em outras cidades. No Brasil, como um todo, estamos saindo de uma crise, saindo de uma situação ruim que vem desde 2015, e em várias cidades aconteceu uma união em prol do Brasil, união das entidades em prol das cidades. Aqui presenciamos este ano vários problemas que vão contra a criação de empregos, contra o crescimento das lojas. Isso realmente a gente foi contra desde o início porque acreditamos que o com um comércio forte e um lojista forte, você tem colaboradores fortes, gerando emprego, mantendo os direitos trabalhistas, pagando tudo de forma correta, e consegue fazer com que a gente mantenha o aumento de vendas e que as empresas continuem contratando. Quando a gente vê problemas como os que aconteceram no Brasil inteiro e várias cidades abrindo as portas nos feriados ou abrindo dentro do horário especial, negociado com os sindicatos, percebe que em Piracicaba aconteceu o contrário. Então assim, não dá, teve até ameaça de greve – num período de crise que estamos passando e ainda passar por isso. Esperamos que em 2020, as entidades que defendem o comércio – seja patronal ou os colaboradores – realmente se unam para que possamos continuar fazendo de Piracicaba um comércio forte e crescente, pois com certeza isso vai ajudar muito para que a cidade passe a arrecadar mais e que nós tenhamos uma condição de vida – seja para o colaborador ou empresário – muito melhor.

O senhor acredita que o consumidor foi prejudicado diante dessa situação?

Não. Eu acredito que se o consumidor – se foi prejudicado – foi muito pouco porque ele teve a opção de decisão. Quando o comércio não abriu, no momento em que ele está com o dinheiro na mão, e o comércio do Centro e do bairro foi proibido de abrir, ele acabou gastando em outros polos. Então, o shopping, com certeza, ganhou, os hipermercados, com certeza ganharam e as cidades vizinhas acabaram ganhando esse consumidor. Acredito que o consumidor foi afetado muito pouco. Mas a maior afetada foi a cidade, foi o lojista e o colaborador que queria trabalhar e não pode trabalhar, que quer ajudar a sua empresa, o local onde ele trabalha e não pode. O que a gente não entende é por que há diferença entre as lojas de bairro, lojas do Centro, hipermercados e shoppings. E preciso entender que todo lojista, de uma certa forma, é da cidade, então precisamos trabalhar com esse pensamento de união, pensando em uma cidade e em um lojistas mais fortes, para que o colaborador também tenha mais estabilidade.

Qual a expectativa do senhor, como empresário e presidente da CDL, com relação ao desempenho das vendas neste período de final de ano?

A expectativa nossa é muito boa. Piracicaba já tem sentido e o Brasil tem sentido que a crise está diminuindo com a estabilidade política e dando sinais reais de crescimento. Fizemos uma recente enquete onde deu que uma perspectiva de vendas de 9,6% ou seja, o empresário de Piracicaba está acreditando que teremos um dezembro muito bom. E pelo que avaliamos até a data de hoje é que realmente essa expectativa está sendo alcançada e que – lógico – agora nos últimos dias de vendas, que realmente significa muitas lojas fazendo até 30% de vendas do total do mês – é que teremos a dimensão sobre ter atingido a expectativa ou não, se vai aumentar ou não. Até aqui, as vendas têm apresentado um saldo positivo.

O senhor acredita que o país está superando o período de crise?

Acredito que sim, o país tem superado a crise. Acho que a perspectiva é de crescimento real porque ainda não tivemos. O que foi feito até agora foi uma simples recuperação do que perdemos em 2015 e 2016, e agora com o fim da crise política, o país começa a se estabilizar, e apesar de termos eleições no ano que vem, acredito que o país comece a ter crescimento real e possamos pensar positivamente nos resultados, seja na geração de empregos, seja no aumento de vendas das empresas.

Em sua opinião, as políticas adotadas pelo governo federal, principalmente na economia, atendem às necessidades do empresariado?

Acho que algumas ações estão no caminho certo, ainda falta muito para ser feito para o empresariado de modo geral, seja para o prestador de serviço, seja para a indústria, seja para o lojista. Ainda temos muito o que fazer, principalmente na questão tributária, porém, algumas ações que a gente acompanha e que o governo federal tem tomado, estão com resultados positivos o que gera o ‘destravamento’ de alguns compromissos que nós ainda temos de pagar, fazendo com que as lojas comecem a ter mais liberdade para trabalhar. Isso, como eu disse, vai se findar quando realmente for feita a reforma tributária, permindo com que as empresas paguem menos e consigam produzir mais. Precisamos tomar cuidado porque quando se fala em reforma tributária o governo federal precisa entender que o objetivo é diminuir a carga tributária e não mudar de nome. Acreditamos que a equipe que está lá (no governo federal) está entendendo e a nossa Confederação tem acompanhado as reuniões exatamente para que não se mude de nome os impostos, não se junte um imposto com outro, mas que, realmente abaixe a carga tributária para que possamos, com isso, gerar mais emprego e o país continuar crescendo.

Beto Silva

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