Unimed realiza procedimento inédito em paciente

Foto: Felipe Paes/Studio47

Cirurgia é opção de tratamento para pacientes com câncer

Cirurgia de alta complexidade marca os 10 anos do Hospital Unimed, que realizou intervenção inédita para evitar que paciente de 67 anos, acometida por câncer na região abdominal, evoluísse para um quadro clínico de desnutrição grave, além de múltiplas obstruções intestinais e complicações que limitariam sua qualidade de vida. Com duração de nove horas, o procedimento, conhecido como cirurgia citorredutora com quimioterapia intra-abdominal hipertérmica, mobilizou parte das equipes médica e de enfermagem, lideradas pelo cancerologista cooperado Douglas Vilela e seu grupo cirúrgico composto pelos médicos Henrique Cesta, Miguel Córdoba e Eduardo Pinheiro.

“Até pouco tempo, portadores de metástases peritoneais eram tratados somente com quimioterapia, com intuito paliativo, sem perspectivas de cura. Oferecia-se um controle limitado da doença e os pacientes seguiam com sobrevida limitada. Atualmente, com os novos quimioterápicos, o tratamento proporciona resultados superiores”, disse o médico.

Vilela contou ainda que pacientes com carcinomatose peritoneal (câncer disseminado dentro da cavidade abdominal), em geral, tem uma resposta limitada à quimioterapia sistêmica (feita na veia), que é eficiente por um tempo limitado, pois não consegue penetrar completamente nas lesões. Isso leva a progressão da doença.

A cirurgia, no Hospital Unimed Piracicaba, aconteceu em duas etapas: a primeira, contou com a remoção de todo o tumor visível, bem como dos órgãos envolvidos pela doença. Na segunda fase foi infundida quimioterapia a uma temperatura de 42º por 30 minutos.

“Um dos principais desafios é o tempo cirúrgico prolongado, o que demanda um grande preparo das equipes que assiste o paciente: cirurgiões, anestesistas e enfermagem”, comentou. Segundo o especialista, também são necessários cuidados específicos na sala cirúrgica em função dos agentes quimioterápicos. “Durante a infusão de quimioterapia dentro do abdômen do paciente é necessário uma paramentação especial para evitar a contaminação da equipe”.

Por ser uma cirurgia de grande porte, as complicações no pós-operatório podem ser as mais variadas, como sangramento, infecções, fístulas (abertura das emendas do intestino) e trombose. Entre os cuidados com o paciente estão dieta, parâmetros clínicos, sondas e drenos, fisioterapia respiratória e motora, controle da dor, profilaxia de sangramentos digestivos, reposição volêmica e exames laboratoriais. “Essa técnica pode dar a chance de cura para muitos pacientes que antes eram tratados como terminais, dependendo da patologia e do volume da doença”.

A cirurgia citorredutora com quimioterapia hipertérmica, de acordo com Vilela, tem diversas indicações que foram expandidas nos últimos anos. Os casos mais comuns são pseudomixoma peritoneal (tipo raro de câncer originado nas glândulas produtoras de muco no peritoneo), mesotelioma peritoneal (tumor de mesotélio – membrana que reveste as cavidades serosas do corpo), câncer de ovário, câncer colorretal e em casos selecionados de câncer gástrico.

Da Redação

LEIA MAIS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

6 − dois =