Universidades públicas contribuem para uma “Piracicaba celeiro de conhecimento”

Foto: Claudinho Coradini/JP

Uma vocação sobre qual a cidade se orgulha é de atrair alunos de todo país e do exterior para as centenas de cursos da graduação ao pós-doutorado

Em 1901, quando Piracicaba já era uma centenária com pouco mais de 130 anos, um ilustre agricultor chamado Luiz Vicente de Souza Queiroz iniciava uma história que interferiria diretamente no DNA de Piracicaba, transformando a inquieta cidade à margem do Rio Piracicaba numa referência nacional e internacional da agricultura e, nos séculos 20 e 21, do agronegócio.
Em 20 de janeiro de 1955, o Governo do Estado criava a Faculdade de Farmácia e Odontologia de Piracicaba. O curso de odontologia foi reconhecido em 1961, funcionando como Instituto Isolado Estadual até 1967, quando foi incorporada à Universidade Estadual de Campinas, tornando-se Faculdade de Odontologia de Piracicaba.

Já a história da Universidade Metodista de Piracicaba, a Unimep, está relacionada ao Colégio Piracicabano e à missionária norte-americana Martha Watts e teve início 62 anos após a criação da Esalq, em 1963. O diretor-geral do Instituto Educacional Piracicabano, Chrysanto César, fez uma abaixo-assinado para a criação de uma faculdade de Ciências Econômicas e, em agosto, o conselho diretor votava a abertura dos cursos. Surgia então mais um importante polo atrativo de uma população flutuante que interferiria diretamente na economia local, consolidado em 1979, quando foi inaugurado o campus Taquaral.

A Escola de Engenharia de Piracicaba surgiu em 1969, com o curso de Engenharia Civil sob a gestão da Fundação Municipal de Ensino, focada na formação de profissionais das áreas de Engenharias Ambiental, de Computação, de Produção, Mecânica e Mecatrônica e, mais recentemente, Administração, Ciência da Computação e Tecnologia em Fabricação Mecânica.

Para o diretor da Esalq, professor Durval Dourado Neto, Piracicaba percorre o século 21 como um dos municípios mais pujantes regionalmente, nacionalmente e em muitas das esferas do conhecimento como as ciências agrárias, a cidade é referência internacional. “A Esalq, como uma das cinco melhores escolas de ciências agrárias do mundo, contribui para que Piracicaba figure na vanguarda do conhecimento científico”, afirma.

Ele destaca que a atualidade impõe ao mundo um grande desafio: como alimentar 10 bilhões de pessoas em 2050 e aponta que a universidade protagoniza um papel fundamental no desenvolvimento de tecnologias que possam garantir a segurança alimentar do Brasil e do mundo. “Nossas estruturas devem estar canalizadas para uma formação que propicie aos nossos alunos capacitação técnica e humanística para atender demandas da sociedade. Nosso desafio então apresenta-se, para hoje, como transformar conhecimento e riqueza em benefícios para todos”.

Durval lembra que a Esalq tem, como um dos focos, contribuir com políticas públicas voltadas ao agronegócio, sejam relacionadas à agricultura familiar, médio produtor ou grande produtor rural. “Temos linhas de pesquisas desenvolvidas nas grandes áreas das Ciências Agrárias, Ambientais, Biológicas e Sociais Aplicadas e a maioria delas tem como mote principal desenvolver soluções tecnológicas que possam de fato resolver demandas sociais nos ambientes rural e urbano” aponta.

Com 201 docentes, 451 técnicos e administrativos, 2.287 alunos na graduação e 994 na pós-graduação e a somatória de 16.492 profissionais formados na graduação e 10.591 titulados, entre mestres e doutores, a Esalq é uma das unidades da USP com índices significativos de internacionalização. Segundo Durval, atualmente, são mantidos cerca de 80 convênios com instituições de mais de 30 países. “Mantemos programas de dupla diplomação com escolas da França e por conta disso o intercâmbio de alunos é grande nessa via”.

Além desse viés internacional, a Esalq contribui com a projeção da cidade de Piracicaba por estar no centro do projeto Vale do Piracicaba, que contempla entes públicos e privados em prol de um ambiente de inovação que tem motivado um crescimento no surgimento de startups.

Francisco Haiter Neto, diretor da FOP, aponta que Piracicaba é uma cidade extremamente desenvolvida em relação à tecnologia e ciência. “Mas, o principal diferencial é o acolhimento da população piracicabana para os que chegam aqui para estudar e desenvolver pesquisas. Isso propicia um ambiente saudável e tranquilo para todos desenvolverem suas atividades com o máximo potencial. Dificilmente encontramos outras cidades no mundo com essa característica”, aponta.   

Com sete programas de pós-graduação e com mais de 500 alunos trabalhando diretamente com pesquisas, a FOP ainda possui 400 alunos de graduação, na qual boa parte também desenvolve projetos de pesquisa. “A pandemia de Covid-19 e a busca por tratamentos preventivos ou curativos trouxe para a sociedade uma maior compreensão da importância das pesquisas científicas, da dificuldade de obtenção de resultados aplicáveis em curto espaço de tempo e a necessidade de maiores investimentos para a obtenção de resultados”, acredita Francisco.  
 
Com 252 docentes, a Unimep oferece cursos de graduação e pós-graduação, de especialização ao doutorado. Marlene Aparecida Moreno, professora, doutora e diretora de Pós-Graduação e Pesquisa da Unimep, aponta que Piracicaba é considerada um polo de desenvolvimento científico, que atrai pessoas com interesse em ciência, tecnologia e inovação, e também pode ser considerada como um centro regional de formação profissional. “A cidade tem um diferencial que é o Parque Tecnológico, que contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico, com foco na área da informação tecnológica, ajudando na integração entre os centros de pesquisas, universidades e empresas, além de dar suporte ao desenvolvimento de atividades empresariais”.

Reiterando a importância da ciência, professora Marlene lembra que as pesquisas científicas têm grande valor para a sociedade e que por elas descobre-se cura para doenças, desenvolvem-se novas tecnologias que ajudam no crescimento do país, auxilia-se a solucionar problemas que prejudicam a população e contribui-se para a melhor qualidade de vida da sociedade. “Apesar disso, algumas situações afetam diretamente essa área tão importante. Fazer ciência sempre foi um desafio, seja para quem atua no setor público ou privado”.

A Unimep tem desenvolvido diversos projetos para a promoção da saúde da população, como os que prestam atendimento a pacientes com doenças crônicas, pacientes pós-infecção por Covid-19. Projetando a cidade para o mundo, a Unimep mantém convênio para intercâmbios de alunos de graduação com diferentes países.  “Além dos convênios com foco na graduação, os Programas de pós-graduação promovem mobilidade de alunos entre o Brasil e diversos outros países”, relata​.

A professora Maria Helena Santini Campos Tavares, vice-diretora acadêmica da EEP, aponta que a ambientação de Piracicaba encontra na sua história privilegiada iniciativas empreendedoras de vários talentos em áreas da cultura, ciência, tecnologia e lazer que resultaram em prosperidade, bem-estar e no desenvolvimento continuado, que está sendo ainda maior nos últimos 60 anos. “A alcunha de ‘Atenas Paulista’ não foi por acaso, mas do destaque da cidade no campo industrial, tecnológico e educacional”, aponta.

Ela lembra o pioneirismo da cidade em energia elétrica, bondes elétricos, telefonia nacional e internacional e grandes indústrias metal-mecânicas, tecelagem e agroindústrias açucareiras, que asseguravam bons empregos e oportunidades para o desenvolvimento de muitos talentosos profissionais. “A EEP participou deste processo, formando profissionais altamente capacitados para atuar neste dinâmico mercado, tendo como diferencial a oferta de ensino superior de qualidade”, disse.

A EEP se destaca pelo ensino em várias áreas da Engenharia, com atenção ao desenvolvimento teórico e formação tecnológica prática, com pesquisas inovadoras próxima das necessidades sociais e técnicas do município e região, notadamente nos trabalhos de conclusão de cursos. “Paralelo ao avanço tecnológico, a EEP identificou potenciais e demandas, abrindo novas frentes de atuação através de parcerias com empresas, associações comerciais e industriais e com instituições de ensino nacionais e internacionais para inserção e integração científica de alunos e professores”, finaliza.

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