Vacina é a única forma de voltar à normalidade, diz Bonilha

Sem a vacinação em massa, os países correm o risco de mais crises econômicas e novas quarentenas (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Enquanto a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Instituto Butantan discutem formas de acelerar o cronograma da produção da vacina contra a covid-19 no Brasil, acontece em paralelo um acalorado debate popular sobre tomar ou não as doses quanto estiverem prontas.

Para o médico infectologista Hamilton Bonilha, coordenador do Serviço de Controle de Infecção da Santa Casa de Piracicaba, a vacina deve estar disponível à população entre o fim deste ano e começo de 2020, no entanto, crava sem medo: “a única maneira de viver perto da conhecida normalidade é por meio da vacinação em massa”.

Bonilha lamenta que as fakes news e desinformação quanto à efetividade da vacina, apontado pelo médico como grupo ‘anti-vacina’, são, há anos, percalços para a erradicação de doenças. “Acontece no Brasil, acontece nos Estados Unidos também. Um exemplo é a vacina contra o sarampo, que devido a fake news, teve baixa procura e, por isso, o país enfrentou recentemente um novo surto”.

Quanto às vacinas para aniquilar a covid-19, ressalta Bonilha, a população pode “ficar tranquila” quanto ao desenvolvimento e devem receber as doses, quando disponibilizadas. “São duas vacinas criadas por instituições de renome, Fiocruz e Butantan. A vacina é sempre a melhor forma de prevenção”.

Para o médico, quem já previamente afirma que não pretende tomar a vacina contra a covid-19, é individualista. “As pessoas devem ter a consciência de que se trata de uma questão de saúde pública. Além disso, ninguém tem o direito de restringir que alguém da família, por exemplo, tome as doses necessárias. A vacina contra a covid-19 vai funcionar, provavelmente, como a vacina da H1N1, que se modifica de acordo com a mutação do vírus. Ainda é uma doença desconhecida e não se sabe ao certo sobre qual será a imunidade da dose. No entanto, quanto mais pessoas tomarem vacina, melhor, sem dúvida”, destaca. E sem vacina, completa Bonilha, Piracicaba, o Brasil e o mundo correm o risco de mais retrocessos econômicos e novas e inestimáveis quarentenas.

Erick Tedesco