Varejões Municipais comemoram 40 anos com consumidores fiéis e produtos de alta qualidade

São 160 permissionários cadastrados, entre produtores rurais e comerciantes de produtos do município

Há 40 anos, em 26 de junho de 1982, era inaugurado o primeiro Varejão Municipal de Piracicaba. De lá para cá, a atividade só cresceu: são 21 varejões que, juntos, abrem 25 vezes por semana, comercializando cerca de 800 toneladas de alimentos por mês.

De acordo com a Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento), há aproximadamente 160 permissionários cadastrados, entre produtores rurais e comerciantes de produtos oriundos do município e de outras regiões. Além deste número, trabalham nos varejões auxiliares e fornecedores, o que gera aproximadamente 1.000 empregos diretos e indiretos. “É uma política pública que tem um significado muito importante para a cidade, pois perdura há 40 anos com o principal objetivo de ajudar os agricultores a escoar sua produção diretamente ao consumidor, fortalecendo os pequenos produtores do município, a agricultura familiar, a geração de renda e oferecer mais segurança alimentar e nutricional à população, com alimentos de qualidade e preço justo”, diz Nancy Thame, secretária da Sema, em entrevista ao JP.

O Varejão Municipal do Centro, o primeiro a ser inaugurado, começou onde hoje é o Terminal Central de Integração (TCI). Com o passar dos anos, a Prefeitura percebeu a necessidade de melhorar a infraestrutura e dessa forma, em agosto de 1990, o Varejão Municipal do Centro começou a funcionar em espaço próprio, onde está até hoje, em galpão na rua Santa Cruz.

PÚBLICO FIEL
“Gosto de ir nos varejões porque o preço é bom e também para rever amigos. É muito vantajoso comprar aqui. É tudo fresquinho”, diz José de Oliveira Pádua, de 91 anos, aposentado. “Adoro os varejões. Só compro hortifruti aqui”, conta Maria de Lourdes Morais, 91 anos, pensionista. Angela Deva, 75 anos, aposentada, além de fazer compras, também é frequenta os varejões como atividade de lazer. “A gente vem aqui passear, de sábado tomamos caldo de cana. Além dos produtos terem qualidade”, conta Angela Deva, 75 anos, aposentada.

E não é à toa que o piracicabano é fã. “Os principais diferenciais são preço mais baixo em relação aos mercados e varejões da iniciativa privada, além da variedade de produtos, com bancas de legumes, frutas nacionais e importadas, verduras, cereais e tubérculos, frios e laticínios, pescados, aves e ovos, milho verde, pamonha e derivados, utilidades domésticas e plantas, produtos artesanais como pães, bolos e doces, além da tradicional praça de alimentação com pastel, caldo de cana e açaí”, explica a secretária da Sema.

Nancy ainda avalia o “valor sentimental” que agrega ao serviço prestado pelos permissionários. “Existe uma relação próxima e afetiva com o público, que pode conhecer de onde vem o alimento e a história daquela banca, sendo assim um espaço de estímulo e acolhimento”.

SELO
O prefeito Luciano Almeida (União Brasil) apresentou um projeto de lei à Câmara Municipal para o desenvolvimento de um selo de produtor local a ser ampliado para a Região Metropolitana de Piracicaba. Trata-se do Selapir (Selo Local de Alimentos de Piracicaba), desenvolvido após discussões com diversas instituições. “Estamos bastante ansiosos com a aprovação do projeto que institui o Selapir, pois ele traz uma oportunidade de identificação dos produtos de Piracicaba, fortalecendo o alimento local, para uso nas embalagens de seus produtos, que podem ser in natura (frutas, legumes, verduras), processados (pães, doces, geleias, macarrão) ou alimentos de origem animal (leite, ovos, queijos, salames)”, explica Nancy.

A ideia do selo é dar destaque à economia local, como incentivo aos produtores. “Queremos que o Selapir sirva como identificação de um produto piracicabano dentro e fora de Piracicaba, de forma a engrandecer o nome do nosso município”.

“Esses 40 anos nos enche o coração de gratidão e alegria”

Dona Lourdes Aparecida de Fátima Lásaro foi uma das primeiras permissionárias cadastradas pela Sema para comercializar nos varejões. Tudo começou em outubro de 1982 – uma história ligada ao incentivo de seu pai. A família de dona Lourdes tinha um sítio, no bairro Campestre, e por conta disso, ela passou a se dedicar à agricultura. O trabalho nos varejões é acompanhado da família.

“O varejão é tudo pra mim. Me lembro quando fui na Sema pedir uma vaga para atuar no aqui. Faz tempo (risos). Tudo é feito pela nossa mão, com amor”, conta a produtora rural, em entrevista ao JP.

Vanderlei Sanches tem sua plantação de hortaliças no bairro Kobayat Líbano e também uma relação de dedicação e amor com os varejões de Piracicaba. Vindo de uma família grande – de 14 irmãos – o trabalho do pai na agricultura começou quando ele era ainda criança. Aos poucos, os irmãos que no início ajudavam “na lida”, foram trabalhar na cidade e Vanderlei ficou no sítio. Hoje, ele, a esposa, a sogra e os dois filhos, de 17 e 23 anos, estão à frente da produção.

“Lembro que eu tinha uns 14 anos quando meu pai foi convidado pela Sema a participar deste seguimento que surgia na cidade, era um tempo de crise e faltava mercadoria de qualidade para vender aos consumidores”, conta ele, que presidente da Coopihort (Cooperativa Piracicabana de Horticultores).

Cerca de 90% dos produtos da família são destinados aos varejões. Hoje, ele também fornece alimentos para a merenda escolar. “É um trabalho muito significativo, esses 40 anos nos enche o coração de gratidão e alegria. Tudo o que eu tenho eu adquiri com os varejões e deles tiramos nosso sustento. A melhor parte é que todos nós produtores formamos uma grande família, cada um na sua área”.

O agricultor cita que além do consumidor pagar pelo menos 30% a 40% mais barato, os produtos têm qualidade. “Trata-se de uma agricultura familiar, cultivamos com amor, as hortaliças são fresquinhas, colhida hoje para vender o dia seguinte, não armazenamos nada. E os clientes não são simples compradores, temos um vínculo de amizade com eles”.

ECONOMIA
A economia aplicada nos varejões é garantida pela Sema (Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento), que coordena e faz o controle de preços para que fiquem mais baratos em relação aos preços da iniciativa privada. Segundo informações enviadas pela prefeitura, semanalmente, a equipe da secretaria faz a cotação de valores nos atacados (Entreposto Ceasa de Campinas e Piracicaba), em alguns produtores rurais e em supermercados e varejões privados, sempre às quartas e sextas-feiras, para acompanhamento da sazonalidade dos produtos.

Nani Camargo
Especial para o JP

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