Velocista piracicabano tem boa temporada mesmo com a pandemia

Erik Felipe Barbosa Cardoso representa o Sesi-SP e treina em Santo André CRÉDITO: Divulgação

Medalha de prata no revezamento 4×100 m e quinto colocado nos 100 m rasos na última edição do Troféu Brasil de Atletismo, principal evento da modalidade na América Latina, o velocista piracicabano Erik Felipe Barbosa Cardoso, de 20 anos, encerrou a atípica temporada de 2020, marcada pela pandemia da Covid-19, com resultados expressivos. O atleta, que treina em Santo André e representa o Sesi-SP, também foi vice-campeão brasileiro sub-23 nos 100 m. As boas marcas colecionadas na reta final do ano servem de incentivo para começar 2021 motivado.

“Foi uma experiência incrível, ainda mais pelo que passamos na pandemia. Tivemos que nos superar”, afirmou o velocista, que conquistou a prata no Troféu Brasil formando o quarteto ao lado de Felipe Bardi, Lucas Vilar e o também piracicabano Rafael Andrade, a prova de revezamento foi vencida pelo Pinheiros. Erik começou a treinar em Piracicaba, mas mudou-se para Santo André em 2017. No Grande ABC, ele recebe alimentação, bolsa e moradia, além de ser registrado como atleta profissional e cursar educação física. Apesar da evolução no atletismo, a iniciação esportiva aconteceu em outra modalidade.

“O primeiro esporte que eu fiz, além de jogar futebol na rua, foi a natação. Acho que comecei com 8 ou 9 anos de idade, talvez antes. Fiz natação por indicação médica. Eu tenho asma, mas graças a Deus não é algo que me atrapalha. A natação trabalha bem com a respiração. Sempre gostei de esportes, sou hiperativo. Eu ia para a natação, soltava pipa na rua, jogava bola. Nunca fui de ficar parado. Migrei para o atletismo quando uma professora de educação física disse que eu tinha potencial. Isso aconteceu na época de escola. O incentivo foi fundamental”, falou Erik, que tem 1,77 m e 79 kg. Nos períodos de maior intensidade de treinamento, o percentual de gordura corporal varia entre 2 e 4%.

Os primeiros passos de Erik no atletismo foram dados no Sesi Vila Industrial, em Piracicaba, por meio do Programa Atleta do Futuro, em outubro de 2012. No início, ele praticava arremessos, corridas e saltos, mas logo se identificou com as provas de velocidade e arremesso de peso. “São (modalidades) distintas, mas comecei a me dar bem nas duas. Em 2013, como pré-mirim, participei da minha primeira competição no Ibirapuera (São Paulo). Eu estava muito nervoso e não consegui nem comer. Disputei 60 m rasos e arremesso de peso, e ganhei as duas”, relembrou.

No ano seguinte, novamente no complexo paulistano, o piracicabano viveu uma experiência negativa. Erik fraturou o dedão do pé esquerdo em uma seletiva para os Jogos Escolares da Juventude. Foram quatro semanas com a ‘bota’ no pé e o receio de voltar correr. Para não ficar parado, o atleta passou a se dedicar ao arremesso de peso e de disco. “Fui bem (risos)”, garantiu. “Lembro que disputei o Estadual e fiquei em terceiro lugar no peso e em quarto no disco. Depois de três semanas, participei do Brasileiro. Fiquei com a prata no disco, melhorei bastante a marca”, disse. Erik voltou a correr apenas em 2015, segundo ele, porque “está no sangue”. Por meio do esporte, ele pôde conhecer países como Colômbia, França, Itália, Quênia e Turquia.

Antes de ir para Santo André, Erik vivia em Piracicaba com o pai Wilson, a mãe Denise e a irmã Maria Gabriela. No ABC, a rotina é puxada: o velocista treina diariamente em dois períodos, alternando trabalhos técnicos e físicos. A noite é dividida entre a faculdade e o sono. “Eu tinha 17 anos quando soube que mudaria para Santo André e fiquei eufórico! O primeiro mês foi aquela empolgação pela liberdade. A partir do segundo, do terceiro mês, você começa a sentir falta. Não é o mesmo ar. Não estava com os meus pais. Por outro lado, consegui focar um pouco mais no atletismo. Sei que estou em Santo André pelo esporte, saí de Piracicaba com essa mentalidade e sei o que me convém”, afirmou.

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