Em encontro, Gilmar Rotta (MDB) solicitou medidas para capacitação desse público. (Foto: Sidney Jr.)

A educação formal e a ampliação de oportunidades no mercado de trabalho das pessoas surdas em Piracicaba são defendidas pelo presidente da Câmara, o vereador Gilmar Rotta (MDB), que levou à Semtre (Secretaria Municipal de Trabalho e Renda) representante de grupo regional para apresentar ao secretário José Luiz Ribeiro a proposta de criação de cursos de português, cozinha e informática.

A intenção é que o Executivo encontre mecanismos para a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho. A demanda do Grupo de Libras Piracicaba e Região é ainda maior e contemplaria cursos em outras áreas, como costura e modelagem, cuidados com bebês, fotografia, artesanato, logística, entre outras.

Gilmar Rotta explicou ao secretário os pilares do projeto Câmara Inclusiva. “Identificamos que o atendimento às pessoas surdas acima dos 18 anos é falho. Alguns até conseguiram estudar, mas não possuem oportunidade de crescimento nas empresas. Em um dos relatos que recebi, por exemplo, o profissional de engenharia mecânica ocupa vaga de ajudante de produção”, contextualizou.

Segundo a professora de surdos Beatriz Aparecida dos Reis Turetta, do Grupo Libras Piracicaba e Região, a educação bilíngue (português e Libras) desde a educação infantil permitiria a acessibilidade das pessoas surdas em todos os espaços. “A gente tem uma história educacional que não lhes garantiu essa estrutura. Não são todos os surdos com a oportunidade de falar o português como falamos, mas todos têm condições de aprender o português escrito”, detalhou.

Beatriz explica que a realidade do coletivo de surdos, hoje, é de uma maioria que domina apenas a Libras, com pouco conhecimento das palavras do português. Diante disso, ao buscarem uma vaga no mercado de trabalho, encontram dificuldades já na fase das entrevistas. Ainda de acordo com a professora, há os casos dos surdos com formação, porém com empregos abaixo do nível de escolaridade.

Conforme Beatriz, um curso de cozinha ou culinária contribuiria para que as mulheres surdas atuassem na produção de produtos nas próprias residências e gerassem renda familiar. No caso de informática, por exemplo, bastaria a inclusão de um tradutor e intérprete de Libras/Língua Portuguesa em cursos oferecidos pela prefeitura, enquanto a formação bilíngue (português e Libras) exige a atuação de um profissional especializado.

Para o secretário, um dos caminhos seria a elaboração de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) entre Ministério do Trabalho, iniciativa privada e Poder Público, para que as empresas assumissem o treinamento. “Esse é um caminho a ser fomentado”, disse José Luiz.

Da Redação

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