Vitiligo: a luta contra o preconceito e a busca pela autoaceitação

É preciso lutar pela causa e pelas pessoas com vitiligo (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Quem vê a ativista da causa do vitiligo Maika Celi hoje pode não imaginar a trajetória de autoaceitação e luta contra o preconceito que precisou traçar antes de se tornar uma referência em busca de visibilidade para a causa. Foi depois de sofrer assédio no trabalho, em 2016, quando usaram a característica da sua pele para tentar atingi-la, que Maika tomou a decisão de não mais se esconder. “Naquele momento, fiquei refletindo sobre isso. Olhei a postagem e falei ‘até quando eu vou me colocar como vítima do vitiligo? ’, porque eu, inconscientemente, dava a oportunidade de que as pessoas usassem a minha característica contra mim. Falei: ‘chega, ninguém mais vai me humilhar por conta do vitiligo’”, lembra.

Desde aquele ano, Maika ajuda outras pessoas a passarem pelo processo de, como ela diz construir uma nova identidade. Por meio da página “Vitiligo – Meu Lugar ao Sol”, no Facebook, e o perfil “@vitiligo.meulugaraosol”, no Instagram, o projeto ganha espaço para promover seus pilares: amor próprio, aceitação, conscientização e o “permita-se”.

“Você tem que se permitir ser amada […] É óbvio que existe o processo. A gente não está aqui também falando ‘olha, você vai se aceitam então hoje você dorme acorda amanhã super se aceitando’. Não é assim, a gente precisa aceitar esse processo, que na verdade é a gestão para a sua nova identidade”, explica.

Em junho, o trabalho realizado toma ainda mais fôlego. Este mês é dedicado a quebrar os preconceitos, por meio de informação, uma vez que dia 25 é o Dia Mundial de Conscientização do Vitiligo. De acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), essa é uma doença autoimune caracterizada pela perda de coloração da pele, em decorrência da ausência ou diminuição das células responsáveis pela formação da melanina, que dá cor à pele, e afeta 1% da população mundial e 0,5% da brasileira. A SBD ressalta que não é contagioso e não causa prejuízos à saúde física.

“A maior queixa dos meus seguidores e das pessoas em geral com vitiligo é justamente a falta de informação da sociedade que faz com que essas pessoas, de alguma forma, haja com preconceito. Ao invés de acolher, elas excluem”, conta Maika, que começou sua atuação pela internet mas já colheu frutos concretos, como a aprovação, no ano passado, da lei de autoria do vereador André Bandeira (PSDB), com intermédio dela, que instituiu o Dia Municipal de Conscientização sobre o Vitiligo, também em 25 de junho, em Piracicaba. “É a primeira lei de conscientização do vitiligo no Brasil”, conta Maika.

As faíscas de inspiração de Maika foram além das margens do Rio Piracicaba. Outras cidades, como Saltinho e Santa Bárbara D’Oeste, também implantaram leis semelhantes e, segundo Maika, a cidade do Rio de Janeiro estuda seguir neste caminho. “A conscientização está alcançando as pessoas e, para mim, isso é muito gratificante”.

Devido à pandemia, neste mês não houve eventos presenciais para marcar a data, porém Maika promove, em suas redes sociais, lives com a temática “Minha História de Superação”. Hoje (26) a conversa será com o modelo Roger Monte, às 19h. Também criou a exposição virtual “Este… é o nosso lugar ao Sol” para compartilhar e empoderar a beleza das pessoas com vitiligo (e não “portadoras de vitiligo”, conforme Maika ressalta).

Ela lembra ainda que é preciso dar luz à causa durante todo o ano e que as pessoas com vitiligo tenham mais oportunidades no mercado de trabalho.

Andressa Mota

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