Vítimas de violência psicológica demoram para perceber abusos

Foto: Claudinho Coradini/JP

Advogada entende que o endurecimento das leis provoca a sociedade para discutir os temas importantes

Nem sempre o relacionamento abusivo é percebido no primeiro sinal, muitas vítimas demoram anos para perceber que sofrem algum tipo de violência psicológica ou emocional do companheiro. Em alguns casos, somente quando a agressão é física, a mulher percebe que já sofria abusos.

Há dois meses a esses tipos de violência também passaram a ser considerados como crime. O presidente Jair Bolsonaro sancionou Lei 14.188, de 2021, que cria o programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica e Familiar. “O crime pode ocorrer por meio de ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro método. A pena é de reclusão de seis meses a dois anos e multa.”

A presidente da Comissão da Comissão da Mulher Advogada da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Piracicaba e do Projeto Heroica entende que a alteração na lei é mais um passo e provoca a sociedade para sobre a violência tão brutal contra a mulher. “Somente após romper esse ciclo da violência será possível mudar essa dura realizada, pois nem sempre a mulher entende que seu companheiro é autor de uma violência psicológica que é tão grave quanto a física, pois em muitos casos a mulher perde a própria identidade e entende como verdade as acusações ditas ao longo de anos e repetidas inúmeras vezes, principalmente afirmações pejorativas relacionadas à autoestima.

Como aconteceu com uma assistida do Projeto Heroica, que demorou 23 anos de casamento para perceber que era vítima de violência psicológica. “Assim como os demais, meu marido era manipulador. Não tinha consciência do que estava passando. Algumas amigas tentaram me alertar, mas não enxergava. Estava muito envolvida emocionalmente. Precisou chegar até a agressão física para entender que a violência que estava vivenciando era muito antiga”, desabafou. A vítima de violência acredita como positiva a alteração da lei, como uma forma a mais para o agressor possa ser punido”, completou.

Outra assistida, que além de agressão também foi estuprada, também considera como positiva o endurecimento das leis, principalmente aquelas que se referem à violência contra a mulher. “É preciso que os agressores sejam responsabilizados criminalmente e que possam ficar fragilizados e com medo, só assim entenderão, caso contrário o ciclo das agressões continua,
pois terão a ideia de que ficarão impunes”, desabafou.

Cristiani Azanha
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