Você gasta mais do que ganha? Entenda como a saúde mental e a segurança financeira estão interligadas

Foto: Freepik

Psicanalista explica como as emoções podem gerar compulsão por compras e as formas para evitar esse problema

Desde que o coronavírus fechou estabelecimentos não essenciais nos primeiros meses de 2020 no mundo todo, o impacto financeiro desse movimento afetou significativamente a vida das pessoas. Uma pesquisa realizada nesse ano pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), aponta que mais de 70% dos inadimplentes sofrem de transtornos emocionais por não conseguirem quitar suas dívidas. As sequelas desse cenário, porém, podem ser invisíveis.

Culpa e vergonha camuflam o problema de quem está com a vida financeira doente e ajudam o indivíduo a manter um disfarce social, que procura manter o mesmo estilo de vida. Pode ser exteriorizado por meio de compras, com uma satisfação momentânea e um desespero quando chega o momento dos pagamentos.

Também devemos levar em conta, que quando tratamos o nosso dinheiro de forma displicente, com gastos desnecessários e compulsivos, geramos descontrole em nosso orçamento. Se não tratado a tempo, essas questões podem levar a consequências mais desastrosas como o envolvimento com vícios como cigarro, álcool, comida e drogas ilícitas, em que se desconta as frustrações com os excessos.

Desta forma, não é possível tratar a saúde mental sem levar em conta a saúde financeira do indivíduo. O mais importante é identificar as causas deste desajuste no equilíbrio de ambas e a terapia pode contribuir nesse sentido.

COMO LIDAR?

Para psicanalista Andréia Ladislau, as pessoas precisam, primeiramente, colocar na ponta do lápis quais são os seus ganhos, os seus gastos e avaliar o quanto essa relação é compatível a fim de obter uma visão realista das suas necessidades. “É possível cortar gastos descontrolados que podem levar a uma situação financeira desconfortável”, diz.

Fazer essa reflexão também pode impedir atos impulsivos que são consequências de rotinas mais ansiosas e uma demonstração de como a ligação emocional e financeira caminham juntas. “Devemos tentar entender o motivo da transferência da ansiedade para a compra. Lembrando que todo excesso reflete uma falta. E onde está a minha falta? Porque estou fazendo substituições?”, complementa.

Ela reforça que cuidar da situação financeira e saúde mental ao mesmo tempo vale até mesmo para quem não está afogado em dívidas. “Quando a mente busca um mínimo de equilíbrio, ela consegue visualizar saídas muito eficazes”, finaliza.

Laís Seguin
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