Volta do auxílio emergencial é urgente, ressalta economista

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O salário-mínimo passou a valer R$ 1,1 mil desde o dia 1º de fevereiro. Era R$ 1.045, ou seja, um pequeno reajuste de 5,26%, que leva em consideração o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de janeiro a novembro e a variação estimada do mercado financeiro para o índice em dezembro de 2020. Um pequeno alento à população, principalmente àqueles que ficaram sem auxílio emergencial.

Além do reajuste pífio a bolso do brasileiro, o panorama econômico também é tensionado pela pandemia da covid-19 e pelo fim do auxílio emergencial, apesar de discussões da equipe econômica do governo federal e o Congresso sinalizarem, na sexta-feira (5), a liberação do auxílio emergencial em um novo formato que possa respeitar o teto de gastos públicos.

Para Eliane Rosandiski, economista do Observatório PUC Campinas, é complexo o panorama da economia regional – e, claro, nacional – sem o auxílio, e avalia que o impacto às famílias, ainda em meio à pandemia, é preocupante.

“Grande parte dos informais perderam seu emprego e passaram a receber o auxiliar emergencial ainda não voltou para o mercado de trabalho. Estima-se que pouco mais 30% tenha retornado. Numa situação de segunda onda da pandemia, a geração de postos de trabalho fica prejudicada. Logo essas pessoas estão sem renda, provavelmente vivendo de doações/caridade”.

Outra agravante no cenário da população sem auxílio, afirma a economista, é um efeito cascata da baixa injeção de dinheiro no comércio e serviços das cidades. “Estabelecimentos ficam sem compradores, visto que essa renda está deixando de circular na economia. Se esses estabelecimentos não tiverem para quem vender, a tendência é aumentar o desemprego”.

Numa eventual volta do auxílio, que deve ser menor até mesmo do que os R$ 300 dos últimos meses, Eliane considera um mal sinal à economia. “Talvez seja mesmo um valor menor, o que para economia é ruim, pois significa menor demanda (compradores) e se tiver menos gente para comprar a atividade econômica não decola. Ao contrário, tende a cair”.

A questão do auxílio e a inflação subindo, no entanto, explica a economista, são distintas. “O auxílio tem relação com medida protetiva da renda, pois as pessoas deixaram de receber por causas das medidas de distanciamento social para o combate a pandemia. A inflação tem outras causas, dentre elas, a mais importante é a subida do dólar. Que encarece todos os componentes importador e estimula o produtor a vender no mercado externo, como no caso do arroz”.

Erick Tedesco | [email protected]

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