Vulnerabilidades da população LGBTI na pandemia é tema de debate online

Debate será realizado pelo Facebook, às 19h. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Para discutir as vulnerabilidades da população LGBTI no contexto da pandemia do novo coronavírus, o professor Adelino de Oliveira entrevista na noite de hoje (20), das 19h às 20h, por meio de live em sua página no Facebook, o coordenador geral da ONG Casvi (Centro de Apoio e Solidariedade à Vida) e presidente do Conselho Municipal de Políticas para LGBT de Piracicaba, Anselmo Figueiredo, e a presidenTRA da ABLGBT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos), Symmy Larrat. O debate também poderá ser acompanhado pelo perfil Anselmo Figueiredo na mesma rede social.


De acordo com Figueiredo, a iniciativa de realizar o debate se deu pela necessidade de discutir na cidade e região os impactos que a pandemia tem sobre a população LGBTI. Por isso, fez o convite ao professor Adelino, que tem feito diversas lives em sua página para discutir as implicações sanitárias, econômicas e políticas da pandemia no contexto da desigualdade social brasileira. “O grupo LGBTI passa historicamente por uma situação de muito preconceito. O Brasil é um dos países que mais lincha pessoas no mundo, […] e, quando você vai olhar os dados, as maiores vítimas de linchamento são os negros e afrodescendentes e do grupo LGBTI”, ressalta o professor.




Para Symmy, “uma sociedade que é hetero-cis-normativa, violenta, que promove exclusões precisa debater temas como esse, que ficou evidente nesse período. As pessoas têm que ficar em casa e muitas não têm como ficar em casa. A gente percebe o quanto a sociedade é excludente e a nossa população está dentro desse perfil”, lembra. “Também aproveitar esse momento em que as pessoas estão dentro de casa é essencial para falar sobre isso para que a gente saia desse período melhor, repensando muita coisa”, ressalta.

TEMAS
Figueiredo conta que são três os tópicos do debate. O primeiro é a situação de membros da população LGBTI que não são aceitos pela família e que precisam permanecer em casa durante a quarentena, com o perigo da violência física e/ou psicológica.

O segundo é a questão de sobrevivência neste período das pessoas travestis e transexuais que vivem da prostituição. “A gente nunca precisou de uma pandemia para ver a exclusão social principalmente nas famílias e no mercado de trabalho acontecendo com as travestis e transexuais. […] Dentro da comunidade LGBT, é o segmento que mais sofre com essa questão da exclusão”, afirma Figueiredo.

O terceiro tema é a preocupação com a segurança sexual e da transmissão do novo coronavírus entre os membros da comunidade, por meio de encontros marcados em aplicativos de relacionamento. “O que a gente tem percebido, o movimento LGBT, as organizações, que os encontros, as conversas nos aplicativos elas têm aumentado nesse momento. Aí a preocupação de como isso tem acontecido”, pontua.

O coordenador da ONG Casvi lembra que a sede física da instituição está fechada, porém aqueles que precisarem podem entrar em contato por meio da página no Facebook e WhatsApp (19) 99425-0742. Além disso, é possível também fazer boletim de ocorrência pela internet.

DIREITOS HUMANOS
Para o professor Adelino de Oliveira, a pandemia “colocou às claras esse profundo processo de desigualdade social que marca a nossa sociedade”. Exemplos neste sentido são a falta de acesso à água para lavar as mãos ou moradia digna para o isolamento social. “Essas realidades limites mostram que as desigualdades sociais agravam como as pessoas vão receber e vão enfrentar a crise sanitária. Por isso debater direitos humanos é fundamental”, ressalta o professor.

No contexto da pandemia, Oliveira lembra da importância ainda de defender os direitos à saúde, cobrando a retomada de investimentos no SUS (Sistema Único de Saúde), à moradia, à alimentação e ao saneamento básico. Além disso, para o professor, é necessário ainda discutir a questão da violência doméstica contra mulheres e crianças e o acesso à educação.


“Esse momento de profunda crise pode ser também a possibilidade para avançarmos para uma outra realidade social. A sociedade brasileira está convencida, por exemplo, da importância do SUS, é preciso fortalecer a presença do estado nas mais diversas áreas dos direitos públicos e sociais”, finaliza Oliveira.

QUEM É QUEM
Entrevistador: Adelino de Oliveira é professor e coordenador da pós-graduação em Educação em Direitos Humanos do Instituto Federal de São Paulo – campus Piracicaba.

Entrevistados:
Anselmo Figueiredo é formado em Comunicação Social (Jornalismo), ator, educador social e analista de projetos. Coordenador geral da ONG Casvi (Centro de Apoio e Solidariedade à Vida), presidente do Conselho Municipal de Políticas para LGBT de Piracicaba, membro da Executiva do Fórum Paulista LGBT, da Secretaria Executiva do Observatório Cidadão de Piracicaba e do Comitê Estadual de Saúde Integral da População LGBT da SES (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo).

Symmy Larrat é presidenTRA da ABGLT. Foi coordenadora do Programa Transcidadania da prefeitura de São Paulo e coordenadora nacional LGBTI no governo Dilma Rousseff (PT).

Andressa Mota

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