Arnaldo Bortoletto pode falar mais alto, mas não mais claro: o objetivo do XV de Piracicaba é o acesso para a Série A1 do Campeonato Paulista. Na última sexta-feira (18), véspera da estreia no Estadual, que terminou com vitória quinzista por 3×2 sobre a Inter de Limeira, o presidente do clube visitou a redação do Jornal de Piracicaba para falar sobre a proposta de trabalho da nova diretoria, encabeçada por Bortoletto. A entrevista, que durou cerca de 45 minutos, ainda contou com as presenças do diretor de futebol Ricardo Moura, o presidente do Conselho Deliberativo Rodolfo Geraldi, a diretora-adjunta de marketing Débora Barros, o segundo tesoureiro Pedro Reinaldo Bomback e o assessor de comunicação Evandro Pelligrinotti.

“Além dos objetivos que temos para o futebol, nós queremos que o XV seja referência em Piracicaba. Recordo que eram 395 sócios no dia da eleição, um número irrisório para Piracicaba. O nosso marketing tem um projeto audacioso, que é chegar aos 30 mil sócios, mas isso é algo a longo prazo. É lógico que um clube com 5.000 ou 10 mil sócios, seria bem mais forte. Queremos mostrar para a cidade um trabalho sério e transparente. Sabemos que no futebol o que conta são os resultados, e nós estamos dando condições para que o XV tenha resultados. Vamos insistir também na questão do R$ 1 da água (Semae), penso que a arrecadação é baixa porque ninguém sabe para onde vai”, afirmou Bortoletto, que destacou a importância de investir na base.

“O valor vai para a base. O XV tem 100 meninos que recebem acompanhamento médico e odontológico, alimentação, alojamento no caso de quem é de fora, estudos… Nós queremos mostrar que o dinheiro é muito bem empregado. Temos que acabar com os mitos de que o XV não dá oportunidade para os meninos de Piracicaba, que aqui só joga ‘filho de papai’… Isso é mentira. Nós vamos dar total transparência. No mínimo, cinco pessoas aprovam uma decisão tomada pelo XV. O objetivo é revelar dois ou três jogadores por ano, mas isso só se faz com uma base sólida e capaz de receber mais investimentos”, completou. Abaixo, trechos da entrevista realizada pelo LÍDER em parceria com o JP:

PROJETO

Rodolfo Geraldi: “A parceria foi idealizada na época da eleição, com o Arnaldo ‘pilotando’ o projeto e a participação fundamental da Raízen. É um processo transparente e a expectativa gerada é muito grande. A ordem que nos foi dada, entre aspas, é de fazer o possível para conquistar o acesso e mudar o XV de patamar. Isso também quanto às receitas, que são completamente diferentes na Série A1. No segundo semestre, a ideia é manter o maior número possível de jogadores para ter também uma Copa Paulista satisfatória, buscando o título para disputar uma Série D do Brasileiro. No começo, talvez haja uma dificuldade da população entender o que está sendo feito, se os resultados não vierem de imediato, mas trata-se de um projeto de estruturação do XV no futuro”.

SÓCIO-TORCEDOR

Débora Barros: “A equipe de marketing do XV é vitoriosa e viemos para somar energias. Nossa primeira conquista foi uma parceria com a Payly, que é uma empresa da Cosan e que traz uma nova forma de pagamento. Pela parceria, oferecemos 25% de desconto no ingresso para todos os torcedores que baixarem o aplicativo. Isso será válido em todos os jogos da primeira fase (Série A2). Basta carregar e, no dia do jogo, será possível acessar o desconto. Para os sócios, o desconto é acumulativo. Nós queremos ver o estádio cheio e estamos incentivando as famílias. O Payly é a primeira ação. Temos, como o Arnaldo falou, um planejamento de curto, médio e longo prazo. Vamos ampliar a cadeia de associados de redes conveniadas, para que o programa de sócio-torcedor seja ainda mais atrativo”.

FUTEBOL

Ricardo Moura: “Nós sabemos que tudo isso que foi falado pela Débora está interligado com o time de futebol. Se o time não for bem, as coisas infelizmente não acontecem. A nova diretoria que foi formada tem pessoas sérias e comprometidas para, juntamente com as empresas, fazer um XV de Piracicaba mais forte. Hoje, conseguimos fazer contratos de um ano com os jogadores, não tem mais aquele ‘monta e desmonta’ a cada cinco ou seis meses. A prioridade no futebol é o acesso e estamos confiantes pelo trabalho que foi feito. É importante começar bem”.

RESPONSABILIDADE

Arnaldo Bortoletto: “O XV precisa ter uma sustentabilidade, ampliar as receitas. É algo que buscaremos no dia a dia, passo a passo. Nós queremos um XV que trabalha sério e que mostre o que faz, para que a cidade possa se interessar ainda mais pelo clube. Ninguém aqui vai fugir da responsabilidade, ganhe ou perca, vamos estar juntos. Não vamos nos acovardar pela função que nós assumimos. Faremos o máximo, mas o impossível não conseguiremos”.

BARÃO DA SERRA NEGRA

Débora Barros: “O nosso objetivo, a médio e longo prazo, a despeito dos resultados do futebol, é que a cidade tenha um relacionamento com o estádio, que é a casa do XV. Vamos organizar mais eventos como a campanha de prevenção ao câncer de mama, em parceria com a Associação Ilumina, que é conhecida no país inteiro pela camisa rosa, e a Corrida do Alvinegro, que também é um evento muito procurado. Nós queremos trabalhar com especialistas em marketing esportivo para aumentar a experiência do piracicabano com o Barão da Serra Negra”.

PAPEL DA RAÍZEN

Débora Barros: “A Raízen é a patrocinadora máster do XV, mas não é a única, temos também a Unimed, que é uma grande patrocinadora, a FMC e vários outros patrocinadores que estão visíveis nos muros e placas. O XV vai buscar cada vez mais, depender menos dos patrocínios. Fizemos uma análise, que foi apresentada em uma reunião de diretoria, e elencamos 12 fontes de receita que um clube pode ter, e queremos aumentar essas receitas. A Raízen quer contribuir. O relacionamento que temos na cidade é muito forte. São quase 10 mil funcionários, não é uma paixão meramente institucional. Uma coisa é fazer uma boa gestão, outra coisa é dar visibilidade a essa boa gestão”.

RECURSOS

Rodolfo Geraldi: “É importante o torcedor entende o seguinte: sem Raízen, hoje, não tem XV. A Raízen não quer transformar o XV em S/A. O Rubens (Silveira Mello, CEO da Raízen), é piracicabano e apaixonado pelo XV. A realidade é que sem ele, não tem recurso. O modelo de negócio requer um pouco de paciência. Financeiramente, o XV ainda não é um clube que anda com as próprias pernas. O investimento dá um respiro e a partir de agora temos de solidificar o clube. A Raízen é fundamental, mas fique claro que ninguém quer aqui se perpetuar no XV. Afinal, quem está aqui, colabora voluntariamente”.

(Líder Esportes)

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